No coração do Parque Ibirapuera, em São Paulo, o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo reafirma seu papel vital como um centro efervescente de celebração e estudo das culturas afro-brasileiras. Através de uma programação diversificada que abrange exposições impactantes e uma série de atividades educativas, o museu convida o público a uma imersão profunda em seu rico acervo, conectando arte, história e espiritualidade. As iniciativas atuais e recentes demonstram um compromisso contínuo em valorizar a ancestralidade, a expressão contemporânea e as práticas culturais vivas, oferecendo um panorama completo da diáspora africana e suas reverberações no Brasil.
Mergulho nas raízes e na contemporaneidade: exposições recentes
A programação do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo tem sido um verdadeiro caleidoscópio de narrativas e expressões artísticas, que transitam do ancestral ao contemporâneo. Recentemente, o público teve a oportunidade de conferir a exposição de Isa do Rosário, intitulada “Como a Terra Respira”. Com cerca de 20 obras que exploram pintura, colagem e bordados, a artista dedicou sua criação aos orixás e às emblemáticas bonecas abayomi, figuras carregadas de simbolismo e resiliência. O imaginário de Isa do Rosário é povoado por serpentes, rios e mantos, elementos que remetem à força da natureza e à espiritualidade. O título da mostra, por sua vez, evoca a imagem da terra remexida pelas serpentes, metaforizando a constante transformação e vitalidade das culturas ancestrais.
A relevância dessas mostras é sublinhada pelo diretor-executivo do museu, Paulo Roberto. Ele destaca que a programação deste mês e dos períodos imediatamente anteriores foi cuidadosamente planejada para abraçar a ancestralidade, a arte contemporânea, a educação e as práticas culturais vivas. “Entre os destaques está a visita temática Odoyá: a presença de Iemanjá no acervo, que propõe uma reflexão aprofundada sobre as representações de Iemanjá nas religiões de matriz africana do Brasil, ampliando significativamente o diálogo entre arte, espiritualidade e memória”, afirma Roberto, enfatizando a capacidade do museu de tecer conexões entre diversas esferas do saber e do sentir.
Homenagem à cultura popular e crítica histórica
Fora das galerias principais, a Marquise do Parque Ibirapuera se tornou um palco para a celebração da cultura popular brasileira com a exposição de fotografias de Arlindo de Souza Amorim. Reconhecido como Patrimônio Vivo de Pernambuco, Amorim, carinhosamente chamado de Xirumba, tem um olhar único para capturar a essência de manifestações culturais vibrantes como o maracatu rural e o cavalo-marinho. Sua mostra, intitulada “Orquestra”, oferece um testemunho visual da riqueza e da persistência dessas tradições. Nela, o fotógrafo acompanhou de perto o Cambinda Brasileira, um dos maracatus mais antigos em atividade no país, revelando a energia e a beleza de seus integrantes e rituais.
Outra mostra de grande impacto no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é “A História Inventada e a Invenção de Histórias”, do artista Roméo Mivekannin. Nascido na Costa do Marfim e residindo entre a França e o Benin, Mivekannin apresenta mais de 30 trabalhos, entre pinturas e têxteis, que lançam um olhar crítico sobre a história da arte no Ocidente. Suas obras questionam a narrativa eurocêntrica através da perspectiva dos colonizadores, expondo e denunciando a escravização e o genocídio de povos negros ao longo da história. É uma reflexão potente sobre como as histórias são construídas, contadas e, muitas vezes, silenciadas, propondo uma reinterpretação necessária do passado.
Diálogo e formação: atividades educativas e outras exibições
Ainda sobre a exposição de Roméo Mivekannin e outras iniciativas em destaque, Paulo Roberto comenta a agenda de atividades complementares. “No dia 26 de fevereiro, o curador Claudinei Roberto da Silva conduziu uma palestra essencial sobre a exposição ‘A História Inventada e a Invenção de Histórias’. Esta mostra estabelece conexões profundas entre imagens consagradas da história da arte e narrativas cruciais da diáspora africana, promovendo um entendimento mais complexo e multifacetado das interações culturais.” Além disso, o museu promoveu no dia 28 a oficina de xequerê, dedicada à confecção desse instrumento tradicional, permitindo ao público uma experiência prática com a musicalidade afro-brasileira. A programação foi enriquecida também com o lançamento do livro “O futuro ancestral de Acauã”, de Henrique André, na Biblioteca Carolina Maria de Jesus, um espaço de conhecimento e memória dentro do próprio museu.
A diversidade do acervo do museu é constantemente evidenciada por exposições de longa duração ou que seguem em exibição por períodos estendidos. Até o mês de março, por exemplo, o público pôde apreciar “Singular Plural”, do artista baiano Rubem Valentim, uma referência incontestável para a pintura construtivista no Brasil. Ao lado dela, a mostra coletiva “Popular, Populares” provocou uma reflexão sobre as noções de arte popular, reunindo obras de artistas negros e indígenas que desafiam categorizações e celebram a riqueza da criatividade popular. Outra exposição notável é “Silêncio Retumbante”, do pernambucano Izidorio Cavalcanti, que constrói uma dimensão experimental em sua arte, com instalações, pinturas, esculturas e videoperformances, convidando à contemplação e à imersão sensorial.
Legado e futuro da cultura afro-brasileira
O Museu Afro Brasil Emanoel Araujo se consolida, assim, como um espaço dinâmico e essencial para a compreensão e a valorização das heranças africanas no Brasil. Sua programação contínua, rica em expressões artísticas e atividades educativas, serve como um pilar fundamental para a promoção da educação antirracista, a difusão do conhecimento sobre as culturas de matriz africana e a celebração da diversidade que compõe a identidade nacional. Ao oferecer um ambiente de diálogo entre arte, história, espiritualidade e memória, o museu contribui significativamente para o enriquecimento cultural do país e para a construção de uma sociedade mais consciente e inclusiva.
Perguntas frequentes
Onde está localizado o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo?
O museu está localizado dentro do Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Qual é o horário de funcionamento e o valor dos ingressos?
O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 17h. Os ingressos custam a partir de R$ 7,50.
O museu oferece dias de entrada gratuita?
Sim, às quartas-feiras a entrada no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo é gratuita para todos os visitantes.
Quais tipos de atividades e exposições o museu oferece?
O museu oferece uma vasta gama de exposições temporárias e de longa duração, visitas temáticas, palestras com curadores e artistas, oficinas de arte e cultura, e lançamentos de livros, todas focadas nas culturas afro-brasileiras.
Para uma imersão profunda na cultura afro-brasileira, visite o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e descubra suas exposições e atividades!
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