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Dólar fecha a R$ 5,24 sob a influência de tensões entre EUA

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O mercado financeiro brasileiro encerrou a Quarta-Feira de Cinzas com o dólar comercial em alta, atingindo a marca de R$ 5,24. A valorização da moeda norte-americana foi impulsionada por um complexo cenário internacional, marcado principalmente pelo agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, somado às expectativas sobre a política monetária estadunidense. Em um dia de pregão atípico e mais curto devido ao feriado, as influências externas prevaleceram, ditando o ritmo das negociações. A Bolsa de Valores de São Paulo, por sua vez, registrou sua terceira queda consecutiva, refletindo o desempenho negativo de setores chave, como as mineradoras, impactadas pela cotação do minério de ferro.

Flutuação cambial em meio a incertezas globais

O dólar comercial encerrou o pregão desta quarta-feira, 18 de fevereiro, negociado a R$ 5,24 para venda, registrando uma alta de R$ 0,011, o que corresponde a um aumento de 0,21% em relação ao fechamento anterior. A cotação da moeda iniciou o dia com uma ligeira baixa, chegando a R$ 5,20 nos primeiros minutos de negociação. No entanto, a trajetória se inverteu rapidamente à medida que o mercado reagiu às notícias do cenário internacional, elevando o patamar do dólar ao longo do dia. Por volta das 15h50, a moeda atingiu sua máxima diária, chegando a R$ 5,25.

A escalada das tensões geopolíticas e seus reflexos

Um dos fatores mais determinantes para a valorização do dólar foi o recrudescimento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Notícias de que o presidente estadunidense, Donald Trump, havia reiterado ameaças ao Irã, com a Casa Branca indicando “vários argumentos” para um possível ataque ao país, geraram um aumento na aversão ao risco global. Em momentos de instabilidade geopolítica, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, e o dólar é tradicionalmente visto como um porto seguro. Essa busca por segurança impulsiona a demanda pela moeda, resultando em sua valorização frente a outras divisas, incluindo o real brasileiro. A incerteza sobre a extensão e as consequências de um possível conflito no Oriente Médio manteve os mercados em alerta máximo, beneficiando moedas fortes como o dólar.

A influência do Federal Reserve na valorização do dólar

Paralelamente ao cenário geopolítico, a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, também contribuiu significativamente para a ascensão do dólar em escala global. O documento revelou que o mercado de trabalho nos Estados Unidos está demonstrando uma resistência maior do que o previsto. Essa resiliência da economia americana implica que há menor probabilidade de que o Fed realize novos cortes nas taxas de juros em um futuro próximo. Juros mais altos ou a expectativa de que se mantenham elevados tornam os investimentos em dólar mais atrativos, uma vez que oferecem maior retorno financeiro. Essa perspectiva levou a um fortalecimento generalizado do dólar em relação às principais moedas mundiais, reverberando também no câmbio brasileiro e acentuando a pressão de alta sobre o real.

Desempenho do mercado acionário e o impacto das commodities

O mercado de ações brasileiro também foi palco de ajustes neste dia atípico. O Índice Bovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou o pregão aos 186.016 pontos, registrando um recuo de 0,24%. Esta foi a terceira sessão consecutiva de queda para a bolsa brasileira, um movimento que evidencia a cautela e a influência de fatores externos.

Ibovespa registra terceira queda consecutiva impulsionada por mineradoras

A principal influência para a baixa do Ibovespa veio do setor de commodities, em particular das ações de mineradoras. A queda no preço do minério de ferro nos dias que antecederam a Quarta-Feira de Cinzas impactou negativamente o desempenho dessas empresas na bolsa. O Brasil, sendo um grande exportador de minério de ferro, tem seu mercado acionário bastante sensível às flutuações das cotações internacionais dessa matéria-prima. Empresas como a Vale, com grande peso no índice, sofreram com a desvalorização do minério, arrastando o Ibovespa para baixo e contribuindo para a sequência negativa de resultados. A percepção de menor demanda global ou excesso de oferta de minério de ferro pode rapidamente se traduzir em perdas para as ações das companhias do setor.

O cenário externo como principal balizador do pregão reduzido

A ausência de notícias econômicas de grande impacto no cenário doméstico brasileiro fez com que o mercado ficasse ainda mais suscetível às influências externas. Com um pregão encurtado pela Quarta-Feira de Cinzas, a liquidez reduzida e o menor volume de negócios amplificaram a sensibilidade dos ativos locais aos movimentos globais. A falta de balizadores internos fortes permitiu que as preocupações com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e as expectativas em torno da política monetária do Federal Reserve dominassem completamente o humor dos investidores. Esse contexto global se tornou o principal motor tanto para a valorização do dólar quanto para a retração da bolsa de valores, demonstrando a interconectividade dos mercados em um dia de menor atividade local.

Panorama e projeções futuras

O comportamento do dólar e da bolsa neste pregão reflete a intensa dependência do mercado brasileiro em relação aos eventos internacionais, especialmente em períodos de menor atividade doméstica. A combinação de incertezas geopolíticas e expectativas sobre a política monetária da maior economia do mundo criou um ambiente de maior volatilidade e aversão ao risco. A resiliência do mercado de trabalho americano, conforme apontado pela ata do Federal Reserve, sugere que a política de juros nos EUA poderá se manter em patamares que continuem a fortalecer o dólar globalmente, caso não haja mudanças significativas. A contínua vigilância sobre o desenvolvimento das relações entre Estados Unidos e Irã, juntamente com a evolução das economias globais e dos preços das commodities, será fundamental para determinar os próximos passos dos ativos financeiros no Brasil.

Perguntas frequentes sobre o cenário econômico atual

O que causou a alta do dólar para R$ 5,24?
A alta do dólar foi impulsionada por dois fatores principais: o agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, que levam investidores a buscar o dólar como ativo seguro, e a divulgação da ata do Federal Reserve, que indicou um mercado de trabalho americano mais resistente, diminuindo as chances de cortes de juros e fortalecendo a moeda.

Por que a Bolsa de Valores (Ibovespa) caiu pela terceira vez seguida?
A queda do Ibovespa, que marcou a terceira sessão consecutiva de recuo, foi influenciada principalmente pela desvalorização do minério de ferro nos dias anteriores. Essa queda impactou negativamente o desempenho das ações de grandes mineradoras, que possuem um peso significativo no índice.

Como as tensões entre EUA e Irã afetam o mercado financeiro brasileiro?
Tensões geopolíticas globais aumentam a percepção de risco. Investidores, em busca de segurança, tendem a retirar capital de mercados emergentes, como o Brasil, e aplicá-lo em ativos considerados mais seguros, como o dólar e títulos do Tesouro americano. Essa movimentação de capital desvaloriza o real e pressiona a bolsa para baixo.

Para se manter atualizado sobre as principais movimentações do mercado e compreender os impactos da economia global em seus investimentos, acompanhe as análises financeiras diárias e prepare-se para as tendências futuras.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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