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Afogamento em piscinas: proteja crianças e saiba como agir

ANUNCIO COTIA/LATERAL

A segurança em piscinas é um tema de extrema relevância, especialmente com a proximidade de épocas de maior uso. Acidentes envolvendo ralos de sucção, que podem prender cabelos ou partes do corpo, representam uma ameaça silenciosa e devastadora, resultando em afogamentos com consequências trágicas. Diante de recentes fatalidades, como as registradas em Campinas, São Paulo, a conscientização sobre as medidas preventivas e o conhecimento de primeiros socorros tornam-se imperativos. Esta reportagem detalha os riscos, os equipamentos de segurança indispensáveis e as ações cruciais para proteger crianças e adultos em ambientes aquáticos, garantindo que o lazer não se transforme em tragédia. Especialistas alertam para a importância da supervisão constante e da adoção de tecnologias que minimizem os perigos.

Riscos de aprisionamento em piscinas: a força da sucção

A dinâmica da sucção e seus perigos

As piscinas utilizam motores potentes para filtrar a água, um processo que ocorre principalmente através do ralo de fundo, localizado na parte mais profunda, e do bocal de aspiração, geralmente na lateral. Quando esses dispositivos não contam com a proteção adequada, a bomba funciona como um vácuo potente. Se cabelos, roupas ou até partes do corpo se aproximam dessas áreas de sucção, o risco de aprisionamento é altíssimo.

Fábio Forlenza, instrutor técnico conhecido como Professor Piscina, explica que a força da sucção é considerável, capaz de prender uma pessoa e dificultar qualquer reação. O professor de Enfermagem Luiz Fernando Fogaça reforça essa afirmação, destacando que, muitas vezes, em caso de aprisionamento, a vítima não consegue se libertar sozinha. A gravidade desses acidentes é sublinhada por casos recentes. Em Campinas, uma menina de 11 anos teve o cabelo preso no ralo da piscina da casa dos avós, permanecendo submersa por cerca de 16 minutos. A adolescente de 15 anos que a acompanhava foi posteriormente apreendida por suspeita de omissão de socorro. Dois anos antes, em 2024, Manuela Cotrin Carósio, de 9 anos, também em Campinas, sofreu um acidente semelhante em um resort. O cabelo dela ficou preso em um dispositivo de sucção irregular, e a menina, após sete minutos submersa, faleceu 11 dias depois. Estes eventos trágicos reforçam a urgência da prevenção e da vigilância constante.

Medidas preventivas essenciais para a segurança aquática

Equipamentos de proteção e normas técnicas

A instalação de equipamentos de segurança é fundamental para minimizar os riscos em piscinas. O ralo de fundo “anti-turbilhão”, “anti-hair” ou “anti-aprisionamento” é um exemplo crucial. Com formato arredondado e grelhas laterais, ele permite a circulação contínua da água mesmo que a parte superior seja bloqueada, impedindo a formação de vácuo. Adão Luís, vendedor especializado, explica que esse design distribui a vazão, eliminando a sucção concentrada que poderia prender pessoas. Além disso, as normas de segurança recomendam a instalação de dois ou mais ralos interligados para dividir a força da sucção.

Outro dispositivo importante é o adaptador de aspiração com fechamento automático. Este mecanismo possui uma tampa com mola que se fecha automaticamente quando a mangueira de limpeza é retirada, bloqueando o orifício e prevenindo a sucção direta. Sistemas de desligamento do motor de emergência, como botões de fácil acesso, são igualmente vitais. Bombas com sensores que detectam bloqueios na entrada de água, embora mais caros, oferecem uma camada extra de segurança. Adão Luís também enfatiza que a construção da piscina influencia diretamente na segurança; modelos com ralos instalados sob a alvenaria, com saída lateral, reduzem a pressão. Por isso, a contratação de profissionais capacitados para o projeto e construção é imprescindível. A Lei Manuela, sancionada em Campinas, reflete a seriedade do problema, proibindo o funcionamento dos motores de sucção em piscinas coletivas quando em uso e exigindo a instalação de equipamentos de segurança.

Hábitos e supervisão responsável

Equipamentos de segurança são importantes, mas a adoção de hábitos preventivos e a supervisão adulta constante são a primeira linha de defesa contra acidentes em piscinas. O professor Luiz Fernando Fogaça salienta que a supervisão deve ser ininterrupta e sem distrações. Isso significa não usar celular, ler ou se ocupar com outras atividades enquanto crianças estão na água. A atenção total deve estar focada na observação do que ocorre na piscina.

A responsabilidade pela supervisão nunca deve ser delegada a crianças ou adolescentes. Em eventos sociais, como festas, é aconselhável organizar um revezamento entre adultos para garantir que sempre haja um observador dedicado. Para piscinas residenciais, um hábito crucial é desligar a bomba sempre que houver pessoas na água, eliminando completamente a força de sucção. Em ambientes coletivos, como academias ou clubes, onde o motor precisa funcionar continuamente, a instalação de múltiplos dispositivos de segurança se torna obrigatória. Recomenda-se também que ninguém, nem mesmo adultos, nade sozinho. Brincadeiras bruscas e empurrões devem ser evitados. Além disso, é essencial que todos os responsáveis por piscinas conheçam a localização do disjuntor ou da chave geral da bomba para agir rapidamente em situações de emergência. A educação básica em flutuação e segurança aquática para crianças também contribui significativamente para a prevenção.

Primeiros socorros e como agir em emergências de afogamento

Resposta imediata em caso de aprisionamento

A agilidade na resposta é crucial em um afogamento. O primeiro passo, e mais importante, é ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros pelo número 193. A Tenente Olivia Perrone Cazo, do Corpo de Bombeiros, destaca que mesmo que a pessoa não saiba como agir, a equipe telefônica pode orientar os primeiros socorros e ajudar a manter a calma.

Se alguém estiver preso em um ralo, o motor da piscina deve ser desligado imediatamente. No entanto, se o cabelo ou a roupa estiverem firmemente presos, apenas desligar a bomba pode não ser suficiente. Nesses casos, é vital ter tesouras ou facas à mão para cortar os fios ou o tecido e liberar a vítima. Se a remoção imediata não for possível, o objetivo primordial é manter o rosto da pessoa fora da água para que ela consiga respirar. A Tenente Cazo enfatiza a necessidade de um esforço conjunto: enquanto uma pessoa desliga a bomba, outra deve oferecer flutuabilidade à vítima ou auxiliar no corte dos elementos presos.

Atendimento pós-resgate e o impacto no corpo

Após a retirada da vítima da água, é essencial verificar sua consciência e respiração. Se ela estiver respirando, deve ser colocada deitada sobre o lado direito (posição de recuperação) para facilitar a drenagem de líquidos e evitar engasgos. Se a vítima estiver inconsciente e sem respirar, a massagem cardíaca deve ser iniciada imediatamente. As compressões devem ser realizadas no centro do tórax, entre 100 e 120 por minuto, até a chegada do socorro profissional.

O afogamento impede que o corpo absorva oxigênio, levando rapidamente à morte ou a sequelas permanentes. O professor Fogaça explica que o tipo mais comum é o afogamento úmido, onde a água entra nos pulmões, impedindo a troca gasosa. Já o afogamento seco ocorre quando a glote se fecha em espasmo, bloqueando a entrada de ar mesmo sem água nos pulmões. A gravidade do afogamento é classificada em seis graus, desde casos leves com ingestão mínima de água até situações com parada respiratória e cardíaca. A falta prolongada de oxigênio (hipóxia) causa a morte das células cerebrais. Se a vítima permanece submersa ou sem respirar por mais de 10 minutos, pode haver danos neurológicos irreversíveis, como estado vegetativo e perda das capacidades cognitivas e motoras, exigindo cuidados contínuos por toda a vida.

Prevenção contínua e a segurança aquática

A segurança em piscinas é uma responsabilidade coletiva que exige atenção constante e a adoção de medidas proativas. Os trágicos casos de afogamento servem como um lembrete doloroso da importância de não negligenciar os riscos associados aos ralos de sucção e à falta de supervisão. A combinação de equipamentos de segurança adequados, como ralos anti-aprisionamento e sistemas de desligamento de emergência, com hábitos preventivos rigorosos, incluindo a supervisão adulta ininterrupta e a educação sobre segurança aquática, é a chave para proteger vidas. O conhecimento de primeiros socorros e a capacidade de agir rapidamente em uma emergência podem fazer a diferença entre a vida e a morte, minimizando as chances de sequelas graves. Investir em prevenção é investir na vida e no bem-estar de todos que desfrutam do lazer nas piscinas.

Perguntas frequentes sobre segurança em piscinas

1. Qual é a principal causa de acidentes graves relacionados a ralos de piscina?
A principal causa é a forte sucção gerada pelos motores de filtragem, que, sem os equipamentos de proteção adequados, pode prender cabelos, roupas ou partes do corpo de banhistas, levando a afogamentos.

2. O que são ralos “anti-turbilhão” ou “anti-hair” e por que são importantes?
São ralos projetados com formato arredondado e grelhas nas laterais que impedem a formação de vácuo, mesmo que a parte superior seja bloqueada. Eles distribuem a força da sucção, evitando o aprisionamento de pessoas e aumentando significativamente a segurança da piscina.

3. O que fazer imediatamente se alguém ficar preso no ralo da piscina?
Primeiramente, desligue imediatamente o motor da piscina. Se a pessoa continuar presa, corte os cabelos ou roupas que estiverem enroscados. Se não for possível retirar a vítima, tente manter o rosto dela fora da água para que possa respirar e ligue para o Corpo de Bombeiros (193) o mais rápido possível.

4. Quais são os diferentes tipos de afogamento e suas consequências?
Existem o afogamento úmido, quando a água entra nos pulmões, e o afogamento seco, quando a glote se fecha em espasmo bloqueando a entrada de ar. Ambos causam hipóxia (falta de oxigênio). Em casos de submersão prolongada (acima de 10 minutos), as consequências podem ser danos neurológicos irreversíveis, estado vegetativo e até a morte.

Mantenha-se informado sobre segurança aquática e ajude a proteger quem você ama.

Fonte: https://g1.globo.com

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