O cenário acadêmico e político brasileiro lamenta a perda de José Álvaro Moisés, um renomado professor aposentado de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Aos 81 anos, José Álvaro Moisés faleceu tragicamente por afogamento na tarde desta sexta-feira, 13 de outubro, na praia de Itamambuca, em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. A confirmação de sua identidade foi realizada na manhã de sábado, 14 de outubro, por autoridades locais, após o corpo ser encontrado e os esforços de resgate se mostrarem infrutíferos. A notícia de sua partida repentina chocou colegas, amigos e a comunidade intelectual, que reconheciam em Moisés uma figura de grande relevância no debate sobre democracia e instituições políticas no Brasil. O caso, registrado como morte suspeita e acidental, está sendo investigado para esclarecer todas as circunstâncias.
A tragédia em Ubatuba: detalhes do afogamento
Os momentos finais e o resgate
Na fatídica tarde de sexta-feira, 13 de outubro, José Álvaro Moisés estava na praia de Itamambuca, em Ubatuba, acompanhado por amigos. O grupo havia chegado ao local por volta das 17h30 para um momento de lazer. Em determinado momento, a ausência do professor foi notada pelos colegas. A preocupação se instalou rapidamente, e logo depois, informações começaram a circular sobre uma pessoa que havia se afogado e estava sendo socorrida por uma unidade do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) foi acionado por banhistas por volta das 17h40, alertados sobre um homem de 81 anos que havia sido encontrado inconsciente na faixa de areia. Rapidamente, quatro guarda-vidas e dois guarda-vidas temporários mobilizaram-se para prestar os primeiros socorros, com o apoio de viaturas de resgate e suporte médico. Apesar dos esforços intensivos e da agilidade da equipe para reanimá-lo e estabilizar a situação, o professor José Álvaro Moisés não resistiu. Seu corpo foi então encaminhado aos serviços funerários, chegando na manhã do sábado, 14 de outubro, ao Instituto Médico Legal (IML) de Caraguatatuba. No IML, seria submetido a exames de necropsia, um procedimento padrão que visa determinar a causa exata da morte e descartar outras possibilidades. O boletim de ocorrência foi registrado pela Polícia Civil como morte suspeita e acidental, conforme o protocolo para investigação de casos de afogamento em que todas as circunstâncias precisam ser minuciosamente apuradas.
A identificação e o reconhecimento
A confirmação oficial da identidade da vítima demorou algumas horas, gerando apreensão entre os que souberam do incidente. A identificação foi realizada na manhã de sábado, 14 de outubro, pelo GBMar e pela Polícia Civil, após a conclusão dos procedimentos iniciais de resgate e encaminhamento. Segundo relatos de uma amiga de José Álvaro Moisés à Polícia Civil, após a notícia do afogamento e a constatação de sua ausência entre o grupo, os amigos dirigiram-se a uma funerária local em busca de informações sobre a vítima.
Lá, a triste constatação: a vítima era, de fato, José Álvaro Moisés. O reconhecimento do corpo pelos amigos pôs fim à incerteza, mas confirmou a dolorosa perda de uma figura tão importante para a academia e a política nacional. A rápida mobilização dos amigos e das autoridades foi fundamental para o desenrolar dos fatos, ainda que o desfecho tenha sido o mais lamentável, fechando um capítulo de uma vida dedicada ao intelecto e ao engajamento social.
O legado de José Álvaro Moisés: Academia e política
Uma carreira acadêmica e intelectual notável
José Álvaro Moisés foi, sem dúvida, uma das referências acadêmicas mais respeitadas no campo da democracia e das instituições políticas no Brasil. Como professor titular da Universidade de São Paulo (USP), ele deixou uma marca indelével através de seu rigor intelectual, sua paixão pela pesquisa e seu compromisso inabalável com a vida pública. Sua contribuição se estendeu para além das salas de aula e das inúmeras publicações, participando ativamente de diversas iniciativas de pesquisa e importantes debates que moldaram o pensamento político no país.
Seu reconhecimento transcendeu fronteiras, evidenciado por sua atuação como membro do International Social Sciences Council, órgão vinculado à UNESCO. Na USP, dirigiu o Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas, um centro crucial para a análise e formulação de políticas que impactam diretamente a sociedade brasileira. Moisés também foi editor do influente blog “Qualidade da Democracia” e coordenador acadêmico do projeto “Corrupteca”, iniciativas que demonstram seu engajamento contínuo com temas de transparência, governança e a saúde democrática do país, temas que considerava fundamentais para o avanço da nação.
Sua vasta produção intelectual inclui a colaboração assídua com jornais e revistas nacionais, onde compartilhava suas análises perspicazes, além da autoria de diversos livros de análise política que se tornaram leitura obrigatória para estudantes e pesquisadores da área. A Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) expressou profundo pesar pela sua morte, destacando em nota que “sua trajetória acadêmica, marcada pelo rigor intelectual e pelo compromisso com a vida pública, deixa um legado incontornável para a área e para gerações de pesquisadoras e pesquisadores”. A ABCP manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e estudantes, ressaltando o impacto duradouro de sua obra e de sua presença.
A trajetória política e a fundação do PT
Além de sua proeminente carreira acadêmica, José Álvaro Moisés teve um papel significativo e ativo na política brasileira, especialmente nos anos cruciais de redemocratização. Foi um dos cofundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e atuou como secretário do partido na década de 1980, um período de efervescência política e fundamental para a formação e consolidação da agremiação política. Nos primórdios do PT, quando o partido dava seus primeiros passos na cena política nacional, Moisés participou ativamente da elaboração de uma cartilha fundamental. Este documento pioneiro explicava as bases das crenças do partido e promovia discussões sobre a Assembleia Nacional Constituinte, um movimento essencial que marcou o processo de redemocratização do Brasil após o período da Ditadura Militar.
Sua participação não se limitou à teoria e à academia, mas estendeu-se à prática da construção partidária e do pensamento político. Ele atuou no partido por cerca de 10 anos, contribuindo para moldar as diretrizes iniciais e a identidade de uma das maiores forças políticas do país. Contudo, nos últimos anos de sua vida, José Álvaro Moisés adotou uma postura notadamente crítica em relação aos governos do PT. Em diversas entrevistas e artigos, ele, que se orgulhava de ter sido um dos fundadores, expressava suas análises e preocupações sobre os rumos do partido e do cenário político nacional. Essa postura crítica, baseada em sua independência intelectual, demonstrava seu compromisso inabalável com a análise construtiva, mesmo que fosse em relação à sua própria criação. Sua evolução política e seu olhar crítico são parte integrante de sua complexa e rica biografia, revelando um pensador que nunca abdicou de seus princípios.
Reflexões sobre a vida e a partida
A súbita e trágica perda de José Álvaro Moisés em Ubatuba deixa um vazio considerável nos círculos acadêmicos e políticos do Brasil. Sua vida foi um testemunho da dedicação ao pensamento crítico, à construção democrática e ao engajamento cívico. Desde a fundação do Partido dos Trabalhadores, nos primórdios da redemocratização, até sua influente carreira como professor titular da USP e suas contribuições para o debate público, Moisés sempre pautou sua atuação pela busca incessante do conhecimento e pela defesa intransigente dos ideais democráticos. Seu legado intelectual, vasto e multifacetado, continuará a inspirar gerações de estudantes e pesquisadores a aprofundar a compreensão sobre as complexas dinâmicas da sociedade e da política brasileira. A memória de José Álvaro Moisés será preservada não apenas por suas inúmeras publicações e pelos cargos de prestígio que ocupou, mas também pela sua capacidade de provocar reflexão, pelo seu pioneirismo na academia e pela sua coragem em manter um compromisso inabalável com um Brasil mais justo, transparente e verdadeiramente democrático. Sua partida inesperada serve como um lembrete da fragilidade da vida, contrastando com a solidez e a permanência de seu impacto no pensamento nacional.
Perguntas frequentes
Quem foi José Álvaro Moisés?
José Álvaro Moisés foi um proeminente professor aposentado de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), reconhecido por sua vasta contribuição acadêmica e seu papel fundamental como um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) na década de 1980.
Onde e como José Álvaro Moisés faleceu?
Ele faleceu por afogamento na praia de Itamambuca, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, na tarde de sexta-feira, 13 de outubro, aos 81 anos. Foi encontrado inconsciente na faixa de areia por banhistas e, apesar dos esforços de resgate do GBMar e SAMU, não resistiu.
Qual foi a importância de José Álvaro Moisés para o PT?
Moisés foi um dos cofundadores do PT e atuou como secretário do partido na década de 1980, participando da elaboração de uma cartilha que explicava as bases das crenças do partido e discutia a Assembleia Nacional Constituinte. Em anos posteriores, ele adotou uma postura crítica aos governos do PT, mantendo sua independência intelectual.
Qual o legado acadêmico de José Álvaro Moisés?
Seu legado acadêmico é marcado por ser uma referência na área de democracia e instituições políticas. Foi professor titular da USP, membro do International Social Sciences Council (UNESCO), diretor do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas, editor do blog “Qualidade da Democracia” e coordenador do projeto “Corrupteca”, além de autor de diversos livros e colaborador de publicações nacionais.
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Fonte: https://g1.globo.com
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