© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Justiça do Rio condena assassinos de Marielle Franco a indenizar viúva

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A Justiça do Rio de Janeiro proferiu uma decisão significativa que condena os executores do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes ao pagamento de indenização por danos morais e pensão mensal à viúva de Marielle, Mônica Benício. Essa determinação marca um avanço importante na busca por justiça e reparação para a família da parlamentar. O crime, que chocou o país e o mundo, ocorreu em março de 2018, quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram brutalmente assassinados em uma emboscada na região central do Rio. A sentença judicial mais recente não apenas estabelece uma reparação financeira, mas também carrega um forte simbolismo, reconhecendo o imenso impacto da perda para a vida de Mônica Benício e a interrupção de um futuro compartilhado.

Detalhes da condenação e reparação

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro responsabiliza diretamente Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, já condenados pela execução do duplo homicídio em outubro de 2024, pelo pagamento de valores indenizatórios. A sentença judicial representa um passo concreto na responsabilização dos envolvidos na tragédia que tirou a vida de Marielle Franco, uma figura proeminente na defesa dos direitos humanos e das minorias. A reparação determinada pelo juízo abrange não apenas o impacto financeiro direto, mas também o sofrimento emocional e psicológico causado pela perda irreparável.

Indenização por danos morais e pensão vitalícia

O juízo julgou procedente o pedido de reparação e fixou o valor de R$ 200 mil por danos morais reflexos, a serem pagos solidariamente pelos réus Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz. Este montante visa compensar o abalo emocional e o sofrimento profundo vivenciados por Mônica Benício em decorrência do crime. Além disso, a decisão estabeleceu uma pensão mensal correspondente a dois terços dos rendimentos que Marielle Franco auferia em vida. Essa pensão será acrescida de 13º salário e férias com adicional de um terço, garantindo uma cobertura financeira contínua para a viúva.

A pensão terá vigência desde a data do assassinato, em março de 2018, e se estenderá até o limite da expectativa de vida da vítima, estabelecida em 76 anos, ou até o falecimento da beneficiária, caso ocorra antes. À época de seu assassinato, Marielle Franco tinha 38 anos, o que significa que a pensão poderá ser paga por um longo período, reconhecendo o sustento e o apoio que Marielle proporcionaria à sua família. Adicionalmente, a sentença assegurou o reembolso e o custeio de todas as despesas médicas, psicológicas e psiquiátricas que se fizerem necessárias a Mônica Benício, as quais serão apuradas em fase de liquidação da sentença. Esta medida sublinha o reconhecimento do tribunal sobre as sequelas traumáticas e a necessidade de apoio integral à viúva.

O significado da decisão para Mônica Benício

Em nota divulgada à imprensa, Mônica Benício, vereadora e viúva de Marielle Franco, destacou o caráter simbólico da decisão judicial. Ela afirmou que a condenação ao pagamento de indenização é uma vitória que “reconhece a interrupção da história que construíamos juntas e o futuro que nos foi negado”. Benício enfatizou que a luta por justiça para Marielle e Anderson “não é sobre dinheiro”, mas sim sobre a busca por verdade e responsabilização em sua totalidade.

Para Mônica Benício, a completa elucidação do caso e, principalmente, a responsabilização dos mandantes do crime são condições fundamentais para que a democracia brasileira possa dar uma resposta à altura da brutalidade do assassinato de Marielle e Anderson. Sua declaração reforça o anseio por um sistema de justiça que não apenas pune os executores, mas que também desvende e condene aqueles que planejaram e ordenaram o crime, garantindo que a impunidade não prevaleça em casos de tamanha repercussão política e social.

A complexa teia dos mandantes do crime

As investigações do caso Marielle Franco e Anderson Gomes, que duraram anos e envolveram diversas esferas de segurança e justiça, trouxeram à tona uma complexa rede de envolvimento, culminando na identificação dos supostos mandantes. A elucidação da autoria intelectual do crime é considerada crucial para a plena justiça. A atuação desses indivíduos se estendeu desde o planejamento minucioso até a tentativa de obstrução das investigações, demonstrando a gravidade e o alcance da conspiração.

Irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa na mira do STF

As investigações, especialmente após a delação premiada do ex-policial militar Ronnie Lessa, apontaram para os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como os principais articuladores e mandantes do assassinato. Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, deputado federal, são acusados de encomendar o crime a matadores de aluguel. Além deles, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, é apontado como o responsável pelo planejamento detalhado do ato e, de forma ainda mais grave, por atrapalhar a própria investigação que ele chefiava antes de o caso ser federalizado.

Os três são réus em uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), com sessão marcada para 24 de fevereiro. Todos estão atualmente presos preventivamente, aguardando o julgamento na mais alta corte do país. A expectativa é que o processo no STF traga luz definitiva sobre a participação de cada um e suas responsabilidades no duplo homicídio, que teve grande impacto na política brasileira e na luta por direitos humanos.

A motivação por trás do assassinato

De acordo com as investigações realizadas pela Polícia Federal, o brutal assassinato de Marielle Franco está intrinsecamente relacionado ao posicionamento político da parlamentar. Marielle, conhecida por sua atuação firme e intransigente em defesa dos direitos humanos e contra as milícias, opunha-se diretamente aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão.

Este grupo, segundo as apurações, possuía fortes ligações com questões fundiárias e imobiliárias em áreas do Rio de Janeiro controladas por milícias. A atuação de Marielle Franco como vereadora representava um obstáculo significativo para os planos e esquemas dos Brazão nessas regiões, o que, conforme a Polícia Federal, teria sido a motivação central para a ordem de sua execução. A eliminação da vereadora visava silenciar uma voz incômoda e remover um impedimento aos seus negócios ilícitos e influências políticas.

O papel de outros envolvidos na execução

Além dos supostos mandantes, a investigação detalhou o envolvimento de outros indivíduos na complexa trama do assassinato. O major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, este último assessor de Domingos Brazão, também responderão ao crime na Suprema Corte e estão presos preventivamente.

Conforme os elementos da delação premiada de Ronnie Lessa e outras provas, Ronald Alves de Paula é acusado de realizar o monitoramento minucioso da rotina da vereadora Marielle Franco, reunindo informações cruciais sobre seus deslocamentos e hábitos, para repassar ao grupo responsável pela execução. Já Robson Calixto teria tido um papel fundamental ao entregar a arma utilizada no crime para Ronnie Lessa, o executor. A participação desses indivíduos, embora auxiliar, foi essencial para a concretização do plano, mostrando a articulação e a divisão de tarefas dentro da organização criminosa.

Conclusão

A condenação dos executores de Marielle Franco e Anderson Gomes ao pagamento de indenização e pensão a Mônica Benício representa um marco importante na busca por justiça e reparação. Embora Mônica Benício ressalte o caráter simbólico da decisão, que reconhece a interrupção de uma vida e um futuro, o veredito reforça o compromisso do sistema judiciário em responsabilizar os envolvidos no crime. Contudo, a plena justiça ainda depende da condenação dos mandantes, cujos nomes já estão sob a mira do Supremo Tribunal Federal. Os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, juntamente com Rivaldo Barbosa e outros, aguardam julgamento que poderá finalmente desvendar todas as camadas de uma das maiores tragédias políticas do Brasil. A sociedade segue atenta aos próximos capítulos, na esperança de que a verdade e a justiça prevaleçam completamente, honrando a memória de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quem foi condenado a indenizar Mônica Benício?
Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, condenados pela execução do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, foram sentenciados a pagar indenização a Mônica Benício, viúva de Marielle.

Qual o valor da indenização e como ela será paga?
A indenização fixada é de R$ 200 mil por danos morais reflexos, além de uma pensão mensal correspondente a dois terços dos rendimentos de Marielle Franco, com 13º salário e férias. Os valores serão pagos solidariamente pelos réus.

Quem são os acusados de serem os mandantes do crime de Marielle Franco?
Os principais acusados de serem os mandantes do crime são os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, além do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa. O major Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto também estão envolvidos.

Qual a motivação por trás do assassinato de Marielle Franco?
A investigação da Polícia Federal apontou que o assassinato de Marielle Franco esteve relacionado à oposição da vereadora aos interesses do grupo político liderado pelos irmãos Brazão, especialmente em questões fundiárias e imobiliárias em áreas controladas por milícias no Rio de Janeiro.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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