O Dia da Internet Segura, celebrado anualmente na segunda terça-feira de fevereiro – que em 2026 marca sua 18ª edição no Brasil no dia 10 de fevereiro – ressalta a urgência de promover o uso ético, seguro e responsável das tecnologias digitais. Em um cenário onde a conectividade é onipresente, a segurança na internet tornou-se uma preocupação central para indivíduos e famílias. A constante evolução tecnológica, infelizmente, é acompanhada pela sofisticação das ameaças online, desde a exploração de dados pessoais até golpes elaborados. Para abordar esta temática crucial e oferecer orientações práticas, conversamos com a Dra. Tamara Anzai, advogada empresarial e sucessória associada ao Instituto Brasileiro de Direitos das Famílias (IBDFAM). A especialista enfatiza que, apesar dos avanços, o comportamento humano ainda é o elo mais fraco na cadeia de segurança digital, demandando conscientização e estratégias eficazes para a proteção de nossa cidadania online.
O cenário atual dos golpes na internet
A internet, embora um portal para o conhecimento e a conveniência, nem sempre entrega a segurança que promete. A evolução vertiginosa da tecnologia não foi acompanhada por uma mudança proporcional no comportamento humano, deixando muitos vulneráveis. A facilidade com que dados pessoais, como o CPF, são fornecidos em interações cotidianas, por exemplo, abre portas para a engenharia social, uma tática comum entre golpistas que exploram a confiança e a desatenção das vítimas.
Vulnerabilidade e engenharia social
Um dos alvos preferenciais desses criminosos são as pessoas com mais de 60, 70 ou 80 anos. A menor familiaridade com os dispositivos digitais e a complexidade da linguagem da internet as tornam mais suscetíveis a armadilhas, como a abertura de arquivos maliciosos ou a revelação de informações confidenciais. Essa lacuna de conhecimento, em comparação com gerações que já nasceram imersas na tecnologia, é explorada para fins ilícitos.
Contudo, a atenção não deve se restringir apenas aos idosos. As crianças também representam um grupo extremamente vulnerável. O compartilhamento frequente de fotos em redes sociais, somado ao avanço da inteligência artificial, expõe a imagem de menores a riscos antes impensáveis, abrindo precedentes para crimes ainda mais graves. A advogada Tamara Anzai destaca que, no dia a dia de sua atuação em defesa dos direitos das famílias, as questões ligadas à segurança na internet são cada vez mais recorrentes, evidenciando que a família continua sendo a principal estrutura de proteção social. Quando essa estrutura é abalada por violações online, o Estado e profissionais do direito precisam atuar para instrumentalizar e defender os direitos violados.
Estratégias preventivas para o dia a dia digital
A prevenção é, sem dúvida, o caminho mais eficaz para combater as ameaças digitais. Em um mundo onde a informação é abundante, mas muitas vezes tóxica, é fundamental adotar práticas conscientes que fortaleçam a segurança pessoal e familiar no ambiente online. A Dra. Anzai sugere abordagens simples, mas poderosas, que podem fazer a diferença na proteção contra golpes e invasões de privacidade.
Desenvolvendo uma desconfiança saudável
A base da proteção digital reside na “desconfiança saudável”. Em um ambiente onde a agilidade é valorizada, é crucial resistir à tentação de responder rapidamente a todas as solicitações ou mensagens. Golpes frequentemente se alimentam da urgência, exigindo decisões em poucos minutos e impedindo a reflexão. A especialista aconselha a parar, analisar e questionar a veracidade da situação. Conversar com outra pessoa sobre o ocorrido e buscar uma segunda opinião antes de tomar qualquer atitude é uma prática simples que pode evitar grandes prejuízos. A pressa é inimiga da segurança online, e a capacidade de pausar e verificar é uma ferramenta poderosa contra a engenharia social.
Protegendo dados, senhas e exposição online
A exposição mínima de dados pessoais é outra medida preventiva crucial. Nossos dados estão amplamente disponíveis online – basta digitar um nome completo no Google para encontrar informações básicas. A advogada recomenda cautela com a quantidade de fotos e informações que são postadas, especialmente em tempo real, sugerindo que localizações sejam compartilhadas somente após a saída do local. O que circula na internet, em termos de localização e imagem, não volta.
As senhas, por sua vez, são a primeira linha de defesa contra acessos não autorizados. Devem ser robustas, complexas e nunca anotadas em papel ou armazenadas de forma facilmente acessível. Senhas baseadas em datas de nascimento, nomes de filhos ou sequências óbvias são extremamente vulneráveis. É prudente criar “palavras de segurança” ou códigos com pessoas de confiança para verificar a autenticidade de pedidos de ajuda em situações de emergência. Além disso, a desconfiança saudável se estende a chamadas de vídeo e fotos que alegam situações de urgência, como sequestros. Com a evolução das tecnologias de manipulação de imagem e vídeo, como os deepfakes, é essencial fazer uma verificação dupla para confirmar a identidade da pessoa e a veracidade da situação, pois golpistas podem replicar vozes e imagens para induzir ao erro. A conscientização de que a justiça e outras entidades são lentas em comparação com a agilidade dos golpistas reforça a necessidade de proatividade e verificação constante.
O futuro da segurança digital e a inteligência artificial
O avanço tecnológico continua em ritmo acelerado, introduzindo inovações como os óculos inteligentes e a integração massiva da inteligência artificial em todos os produtos digitais. Essas tecnologias, que antes pareciam ficção científica, já fazem parte do cotidiano, gerando novos desafios para a segurança e a privacidade.
Adaptação e regulação frente às novas tecnologias
A realidade de estarmos constantemente sendo “captados” por câmeras de celular ou futuros dispositivos inteligentes é inegável. A questão, portanto, não é se adaptar a fugir dessa realidade, mas aceitá-la e focar na regulamentação. Assim como a invenção do avião, concebida com boas intenções, foi utilizada para fins bélicos, as novas tecnologias também podem ser desviadas de seu propósito original. A Dra. Anzai enfatiza que a prioridade deve ser regular como e para quem esses dispositivos devem ser usados. A meta é garantir que sejam empregados para fins responsáveis e construtivos, como a inclusão de pessoas com deficiência, em vez de serem ferramentas para a vigilância indiscriminada ou atividades ilícitas. A educação sobre o uso ético e consciente dessas ferramentas é fundamental para pavimentar um caminho seguro para o futuro digital.
Inteligência humana e ferramentas da IA
A preocupação de que a inteligência artificial possa substituir a inteligência humana é um debate crescente. A advogada Tamara Anzai acredita que, de fato, muitas tarefas e a forma como realizamos diversas atividades serão transformadas pela IA. Contudo, ela ressalta uma verdade crucial: “não é a inteligência artificial ou a tecnologia que vai te substituir, é quem sabe usar as ferramentas corretas.” Essa perspectiva desloca o foco da ameaça da máquina para a oportunidade da capacitação humana. A chave para navegar com sucesso nesta era de transformações é adquirir o conhecimento e as habilidades para manipular e aproveitar as ferramentas da IA de forma produtiva e ética. A educação contínua e a capacidade de adaptação serão os maiores ativos em um mundo cada vez mais impulsionado pela tecnologia.
Educação e uso consciente como pilares da segurança
Em um cenário de constante evolução tecnológica e crescente sofisticação de golpes online, a educação e o uso consciente das ferramentas digitais emergem como os pilares fundamentais da segurança na internet. É imperativo que indivíduos e famílias invistam na compreensão dos riscos e na adoção de medidas preventivas eficazes. A Dra. Tamara Anzai, do IBDFAM, reforça que, ao desenvolver uma desconfiança saudável, proteger dados pessoais com rigor e manter-se atualizado sobre as novas tecnologias e suas implicações, a sociedade pode fortalecer suas defesas. A colaboração e a conscientização coletiva são essenciais para construir um ambiente digital mais seguro, onde a tecnologia sirva ao bem-estar humano sem comprometer a privacidade e a cidadania online.
Perguntas frequentes sobre segurança na internet
Por que idosos são mais visados por golpes online?
Idosos são frequentemente alvos por terem menor familiaridade com os dispositivos e a linguagem digital, o que os torna mais suscetíveis às táticas de engenharia social, como a manipulação emocional ou a criação de urgências.
Qual o papel da inteligência artificial nos riscos digitais para crianças?
A inteligência artificial facilita a manipulação de imagens e vídeos (deepfakes), o que pode expor a imagem de crianças a vulnerabilidades significativas, abrindo portas para crimes mais graves a partir de fotos compartilhadas online.
Como identificar e evitar golpes que exigem decisões rápidas?
Golpes frequentemente se baseiam na urgência. Para evitá-los, adote uma “desconfiança saudável”: questione a necessidade de uma resposta imediata, pare para analisar a situação e, se possível, discuta-a com alguém de confiança antes de tomar qualquer atitude.
As novas tecnologias, como óculos inteligentes, podem ser reguladas para segurança?
Sim. A advogada Tamara Anzai argumenta que o foco não deve ser na proibição, mas na regulamentação de como e para quem essas tecnologias são usadas. O objetivo é garantir que seu uso seja ético, responsável e, idealmente, voltado para a inclusão e o bem-estar social.
Para garantir um ambiente digital mais seguro para você e sua família, aplique estas orientações em seu dia a dia. Compartilhe este conteúdo e promova a conscientização sobre segurança na internet, contribuindo para uma comunidade online mais protegida e informada.
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