A cidade de Lorena, no interior de São Paulo, foi palco de um desfecho macabro em um caso que inicialmente havia sido registrado como morte suspeita. Na madrugada desta terça-feira (3), a investigação sobre a morte de uma mulher, cujo corpo foi encontrado em estado avançado de decomposição, ganhou um novo e trágico rumo. Um homem, de 35 anos, procurou a Polícia Civil e confessou ter asfixiado a vítima, sua companheira. Com a confissão, o caso, antes cercado de mistério, foi reclassificado como feminicídio em Lorena, um crime que choca pela violência de gênero e pelas circunstâncias que o envolveram, revelando detalhes sombrios de um relacionamento. A Polícia Civil agora aprofunda as investigações para consolidar as provas.
A descoberta do corpo e os primeiros passos da investigação
A Polícia Militar foi acionada para um apartamento no Centro de Lorena no dia 22 de janeiro, após vizinhos relatarem um forte odor vindo do imóvel e a ausência da moradora por vários dias. A entrada forçada no local revelou um cenário perturbador: o corpo de uma mulher em avançado estado de decomposição, indícios que apontavam para uma morte violenta. Este panorama inicial classificou o incidente como morte suspeita, desencadeando uma minuciosa investigação para desvendar as circunstâncias por trás do óbito e identificar possíveis agressores.
O cenário do crime e a suspeita inicial
No apartamento, os policiais encontraram o corpo da vítima e um pano enrolado em seu pescoço. Esse detalhe foi crucial para afastar a hipótese de morte natural ou acidental, reforçando a suspeita de homicídio. A decomposição avançada dificultava a identificação imediata das causas da morte, mas a presença do objeto no pescoço da mulher indicava claramente uma intervenção externa e violenta. A perícia foi acionada para coletar evidências, buscando qualquer pista que pudesse levar ao responsável por tão brutal ato e elucidar a cronologia dos eventos que levaram àquela trágica cena.
A confissão chocante e os detalhes do feminicídio
Em um desenvolvimento surpreendente na madrugada desta terça-feira, um homem de 35 anos se apresentou à delegacia de Lorena e confessou ser o autor do assassinato. O suspeito detalhou os eventos da noite do crime, revelando uma história de relacionamento íntimo com a vítima. Sua confissão transformou a investigação de morte suspeita em um caso de feminicídio, dada a natureza da relação e a motivação do agressor. Embora não tenha havido prisão em flagrante, a Polícia Civil já solicitou a prisão temporária do indivíduo, que agora é indiciado por homicídio qualificado.
O relacionamento e a noite que culminou no crime
Em depoimento, o homem relatou que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima e que, após um reencontro, passou cerca de dois dias em seu apartamento. A situação escalou para a tragédia durante a madrugada, após uma discussão acalorada, intensificada pelo consumo de álcool e drogas por ambos. O suspeito confessou ter aplicado uma “gravata” (golpe de asfixia) na mulher até que ela perdesse os sentidos. Acreditando que a vítima estivesse apenas desacordada, ele então amarrou um pano em seu pescoço antes de deixar o imóvel. Após o crime, o homem confessou ter subtraído objetos pessoais da vítima, como televisão, celulares e cartão bancário, que foram posteriormente usados ou trocados por drogas. Ele afirmou não ter retornado ao apartamento e passou a viver em situação de rua.
Desdobramentos do caso e os próximos passos legais
Com a confissão do suspeito, a investigação do feminicídio em Lorena entra em uma nova fase, com foco na coleta de provas adicionais para corroborar o depoimento e consolidar a acusação de homicídio qualificado. A Polícia Civil aguarda a decretação da prisão temporária para dar prosseguimento aos interrogatórios e apurar todos os detalhes que levaram ao crime e à ocultação inicial da autoria. Este caso destaca a urgência de combater a violência contra a mulher e a importância da denúncia, mesmo em casos onde a descoberta do crime ocorre tardiamente. A justiça busca agora garantir que o responsável seja devidamente penalizado.
Perguntas frequentes
O que é feminicídio e por que este caso foi classificado assim?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido em razão da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Este caso foi classificado como feminicídio porque o suspeito mantinha um relacionamento íntimo com a vítima e o crime ocorreu no contexto de violência doméstica e de gênero, conforme a confissão e os indícios coletados.
Por que não houve prisão em flagrante, apesar da confissão?
A prisão em flagrante ocorre quando o indivíduo é pego no momento do crime ou logo após sua execução. Como o crime aconteceu em 22 de janeiro e a confissão ocorreu em 3 de fevereiro, dias após o ocorrido, não se configurou a situação de flagrante. No entanto, a Polícia Civil representou pela prisão temporária do investigado para garantir a continuidade das investigações e a sua custódia.
Quais são as próximas etapas da investigação após a confissão?
Após a confissão, a Polícia Civil prosseguirá com a coleta de provas periciais e testemunhais para corroborar o depoimento do suspeito. Serão realizadas diligências para localizar os objetos roubados, além de novos interrogatórios e análises de laudos. O objetivo é fortalecer o inquérito policial e preparar o caso para o Ministério Público oferecer a denúncia formal à Justiça.
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Fonte: https://g1.globo.com
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