A morte do médico Miguel Abdalla Netto, aos 76 anos, no dia 9 de janeiro, em sua residência na Zona Sul de São Paulo, desencadeou uma série de eventos que incluem acusações de furtos, invasões e uma complexa disputa judicial pela herança. No centro dessa controvérsia, figura Suzane Richthofen, conhecida por seu envolvimento em um crime de grande repercussão nacional em 2002. Sua prima, Carmem Silvia Magnani, ex-companheira do falecido, veio a público denunciar a troca indevida de fechaduras e o furto de um veículo pertencente ao espólio, sem qualquer autorização judicial. A situação levanta sérias questões sobre a administração dos bens deixados pelo médico e a legalidade das ações em torno de seu patrimônio, em um cenário de acirrada batalha na Justiça.
O enredo de furtos e invasões no espólio do médico
Acusações de manipulação do patrimônio e investigação policial
A advogada de Carmem Silvia Magnani, prima e ex-companheira de Miguel Abdalla Netto, expressou profunda indignação com as informações de que o imóvel do médico, onde ele foi encontrado morto, foi alvo de invasões e teve suas fechaduras trocadas. Mais grave ainda, segundo a defesa, é a denúncia de subtração planejada de um veículo que integra o espólio, tudo isso sem qualquer autorização judicial prévia. O espólio, conjunto de bens, direitos e dívidas deixados por uma pessoa após a morte, exige administração rigorosa e que nenhum bem seja retirado ou transferido sem permissão da Justiça.
A gravidade dos fatos ressalta a necessidade de que o inventário seja conduzido por uma pessoa idônea, responsável e comprometida com a legalidade, capaz de proteger o legado de Miguel, resguardar os bens do espólio e preservar a honra da família. As acusações se desdobram em uma investigação da Polícia Civil, que apura uma denúncia de furto à residência do médico, registrada em 20 de janeiro. Na ocasião, itens como uma lavadora de roupas, um sofá e uma cadeira, além de documentos e dinheiro, foram levados do local, conforme o boletim de ocorrência. O sobrinho que registrou o BO não soube precisar o valor em dinheiro subtraído, mas confirmou que uma das portas da casa havia sido arrombada. A perícia foi acionada para investigar o incidente.
A complexa disputa pela herança e a ausência de testamento
Os direitos sucessórios e os envolvidos na controvérsia
Miguel Abdalla Netto, que faleceu sem ser casado oficialmente e sem deixar filhos, possui um patrimônio considerável, incluindo o sobrado no Campo Belo onde residia e foi encontrado morto, e um apartamento no mesmo bairro. Conforme o direito sucessório brasileiro, na ausência de cônjuge e descendentes, a herança é destinada aos ascendentes e, na falta destes, aos colaterais, como os sobrinhos. Nesse contexto, Suzane Richthofen e seu irmão, Andreas von Richthofen, teriam direito a pleitear judicialmente a herança do tio.
A situação é complicada pela ausência de confirmação oficial sobre a existência de um testamento. Caso Miguel Abdalla Netto tenha deixado um testamento com nomes de outros eventuais herdeiros, isso poderia alterar significativamente a partilha e dificultar o acesso dos sobrinhos aos bens. Vale lembrar que Suzane foi excluída da herança de seus próprios pais em 2015, por decisão judicial, com todo o patrimônio de R$ 10 milhões sendo destinado exclusivamente a Andreas.
Pessoas próximas à família, incluindo policiais ouvidos na investigação, indicaram que nem Suzane nem Carmem Magnani mantinham contato próximo ou tinham uma boa relação com Miguel Abdalla Netto. Essa informação adiciona mais uma camada de complexidade à disputa, sugerindo que o interesse na herança pode ser o principal motor das ações judiciais e das controvérsias em andamento. Miguel Abdalla Netto, inclusive, atuou como tutor de Andreas após o assassinato dos pais em 2002, administrando seus bens até que completasse 18 anos.
O pedido de união estável de Carmem Magnani e as controvérsias
A batalha legal pelo reconhecimento de união e posse do imóvel
A disputa pela herança de Miguel Abdalla Netto não se limita apenas aos sobrinhos. Carmem Silvia Magnani, prima do médico, está há mais de dois anos em uma batalha judicial para ter reconhecida uma união estável com ele, supostamente ocorrida entre 2011 e 2015. No mesmo processo, ela pleiteia a dissolução dessa união. Carmem alega que morava com Miguel em um apartamento dele como casal, e não apenas como parentes.
No entanto, Miguel Abdalla Netto sempre negou ter tido qualquer relacionamento amoroso com Carmem. Meses antes de a prima entrar com a ação judicial para o reconhecimento da suposta relação, o próprio médico havia acionado a Justiça, solicitando a reintegração de posse do apartamento. Ele alegou que havia permitido que Carmem morasse de favor no imóvel em 2011, pois ela passava por dificuldades financeiras e o lugar estava vazio. Em 2023, Miguel teria solicitado o apartamento de volta, mas a prima se recusou a sair. Foi então que ela passou a sustentar a existência de um relacionamento amoroso, caracterizando união estável, apesar de nunca ter apresentado um documento formal que comprovasse tal relação, mostrando apenas fotos dela com o primo.
Em 2024, a Justiça obrigou Carmem a desocupar o imóvel e determinou que ela pagasse um aluguel mensal de mais de R$ 4 mil a Miguel pelo período em que residiu no apartamento. Apesar dessa decisão, o processo de reconhecimento de união estável ainda segue sem uma conclusão judicial definitiva.
A sombra do passado: o caso Richthofen e o novo ciclo de Suzane
Resgate dos fatos e a vida atual dos envolvidos
A presença de Suzane Richthofen em mais uma disputa judicial de repercussão pública inevitavelmente traz à tona o trágico caso que marcou sua vida e a história criminal brasileira. Há 23 anos, em 2002, o engenheiro Manfred, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia von Richthofen, de 50, pais de Suzane, foram brutalmente assassinados em sua mansão no Campo Belo. A investigação revelou que Suzane orquestrou o crime, pedindo ao então namorado, Daniel Cravinhos, e ao irmão dele, Cristian, que cometessem o parricídio com golpes de barras de ferro. Os três tentaram simular um latrocínio, mas acabaram confessando e foram presos. O motivo alegado incluía a oposição dos pais ao namoro de Suzane com Daniel e o interesse na herança da família. Andreas, irmão de Suzane, não estava envolvido e não tinha conhecimento do plano.
Em 2006, Suzane, Daniel e Cristian foram condenados. Suzane e Daniel receberam penas de 39 anos de prisão, enquanto Cristian foi punido com 38 anos. Atualmente, os três cumprem o restante de suas penas em regime aberto. Suzane deixou a prisão em 2023 e, desde então, mudou seu nome para Suzane Louise Magnani Muniz após se casar com o médico Felipe Zecchini Muniz. O casal, que tem 42 anos, reside em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, e teve um filho em 2024. Suzane trabalha com a produção e venda online de chinelos, bolsas e pulseiras. Daniel Cravinhos, que saiu da prisão em 2018 e tem 44 anos, atua na customização de motos. Cristian Cravinhos, solto em 2025, trabalha com o irmão e tem 49 anos.
Perspectivas e o futuro da herança de Miguel Abdalla Netto
O desfecho da situação do espólio de Miguel Abdalla Netto se mostra complexo e multifacetado, com uma trama que envolve investigações policiais de furto e morte suspeita, além de intensas batalhas judiciais por herança e reconhecimento de união estável. A atuação da Polícia Civil na apuração do furto ao imóvel e a perícia na investigação da causa da morte do médico são passos cruciais para esclarecer os fatos criminais. Paralelamente, a Justiça terá o desafio de navegar entre os direitos sucessórios de Suzane e Andreas von Richthofen e as reivindicações de Carmem Silvia Magnani, cuja união estável com o falecido ainda aguarda decisão. A ausência de um testamento confirmado e a complexidade das relações familiares e financeiras do médico prometem prolongar os desdobramentos deste caso, que continua sob os holofotes da atenção pública.
Perguntas frequentes sobre a herança de Miguel Abdalla Netto
1. Suzane von Richthofen tem direito à herança do tio?
Sim, na ausência de cônjuge e filhos, os sobrinhos (Suzane e Andreas) são herdeiros legítimos e têm direito a pleitear a herança de Miguel Abdalla Netto na Justiça, conforme a legislação brasileira.
2. O que é um espólio e por que é importante a autorização judicial?
Espólio é o conjunto de bens, direitos e dívidas deixados por uma pessoa após sua morte. É fundamental a autorização judicial para movimentar ou retirar bens do espólio, garantindo a legalidade e a correta administração até a partilha entre os herdeiros.
3. Qual é a situação atual do imóvel do Dr. Miguel Abdalla Netto?
O imóvel onde o médico foi encontrado morto está sob investigação da Polícia Civil devido a um furto. Além disso, houve relatos de invasões e troca de fechaduras, e há uma disputa judicial pela sua administração e posse.
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Fonte: https://g1.globo.com
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