A luta contra a corrupção e o crime organizado no Rio de Janeiro ganhou um novo e significativo capítulo com a recente detenção de dois policiais militares reformados. Os agentes foram capturados na segunda fase da Operação Pretorianos, uma meticulosa investigação que mira a intricada rede de apoio e segurança oferecida ao influente contraventor Rogério de Andrade. Este desdobramento sublinha a persistente infiltração do crime em esferas estatais, revelando a complexidade do desafio enfrentado pelas autoridades fluminenses. A operação Pretorianos, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, é um testemunho da determinação em desmantelar esquemas que há décadas minam a segurança e a integridade da sociedade.
A Operação Pretorianos: Segunda fase e seus alvos
A segunda fase da Operação Pretorianos, deflagrada nesta quinta-feira (29), culminou na prisão de dois policiais militares reformados do estado do Rio de Janeiro. A ação, conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, através do Gaeco, representa um avanço crucial na desarticulação de uma rede criminosa complexa. O foco principal da investigação é a participação de agentes da lei na estrutura de segurança e apoio ao contraventor Rogério de Andrade, uma figura proeminente no submundo dos jogos de azar ilegais. Os detidos, que já não estavam na ativa, são acusados de constituir organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar e à corrupção ativa.
Os promotores de justiça do Gaeco denunciaram os policiais e Rogério de Andrade à 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital, que acatou a denúncia e expediu os mandados de prisão. Embora um mandado tenha sido expedido para o contraventor, Rogério de Andrade já se encontrava sob custódia em um presídio federal no Mato Grosso do Sul desde novembro de 2024, onde responde a acusações de homicídio de um rival, Fernando Ignácio. A simultaneidade das acusações demonstra a amplitude das atividades ilícitas atribuídas a Andrade e a profundidade das conexões que a Operação Pretorianos busca desvendar.
O papel dos policiais militares reformados
As investigações do Ministério Público apontam que os policiais militares reformados atuavam diretamente na equipe de segurança pessoal do contraventor Rogério de Andrade, estendendo seus serviços também aos familiares dele. Essa atuação de agentes do estado, mesmo que aposentados, no aparato de proteção de um chefe do crime organizado, representa uma grave afronta à lei e à confiança pública nas instituições de segurança. A denúncia detalha que um dos PMs detidos é acusado de subornar um policial militar da ativa. O objetivo desse suborno era obter informações sigilosas sobre operações policiais e, ainda mais grave, direcionar ações contra estabelecimentos de jogos clandestinos operados por grupos criminosos rivais de Rogério de Andrade.
Essa prática de corrupção, que envolve a venda de informações confidenciais e a manipulação de operações policiais, ilustra o grau de sofisticação e audácia da organização criminosa. A instrumentalização de agentes públicos, mesmo que por meio de suborno, para favorecer interesses criminosos não só compromete a eficácia do combate ao crime, mas também mina a credibilidade das forças de segurança. A lealdade desviada desses policiais reformados, que juraram proteger a sociedade, para servir a um contraventor, é um elemento central que a Operação Pretorianos busca expor e desmantelar, visando restaurar a integridade das forças policiais.
O Contexto do Jogo do Bicho e Rogério de Andrade
O envolvimento de policiais militares com o contraventor Rogério de Andrade não é um evento isolado, mas sim um reflexo da intrincada teia que historicamente conecta o jogo do bicho, a contravenção e as esferas de poder no Rio de Janeiro. O jogo do bicho, uma prática ilegal de apostas com raízes profundas na cultura carioca, é conhecido por sua capacidade de gerar vastas somas de dinheiro e, consequentemente, por sua propensão a corromper e envolver figuras de diversas áreas, incluindo agentes públicos. Rogério de Andrade é um dos nomes mais emblemáticos desse universo, herdeiro de uma das maiores bancas do jogo do bicho e figura central em conflitos e disputas territoriais que marcaram a história da contravenção.
A figura de Rogério de Andrade transcende a mera organização de apostas ilegais. Seu nome está associado a uma série de crimes graves, incluindo homicídios, extorsão e lavagem de dinheiro. Sua capacidade de operar por décadas, apesar das sucessivas operações policiais, demonstra não apenas a força de sua organização, mas também a extensão de suas conexões em diferentes camadas da sociedade e do poder público. A Operação Pretorianos se insere nesse contexto de desmonte de estruturas criminosas que, valendo-se da lucratividade do jogo do bicho, expandem suas atividades para outros crimes, financiando a corrupção e a violência.
A figura de Rogério de Andrade e as investigações anteriores
Rogério de Andrade, sobrinho do lendário Castor de Andrade, é uma das figuras mais notórias e poderosas do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Sua história é marcada por décadas de atuação no crime organizado, com acusações que vão desde a exploração de jogos ilegais até mandos de assassinato. A atual prisão de Andrade em um presídio federal no Mato Grosso do Sul, desde novembro de 2024, está diretamente ligada à acusação de ter ordenado a morte de Fernando Ignácio, seu rival e herdeiro do contraventor Waldomiro Paes Garcia, o Maninho. Esse crime específico ilustra a brutalidade e a disputa sangrenta por poder e território dentro do jogo do bicho.
As investigações contra Rogério de Andrade e sua organização são longas e complexas, envolvendo diferentes fases e órgãos de repressão. A continuidade de seu nome em novas denúncias, como a que motivou esta segunda fase da Operação Pretorianos, mesmo estando já detido, reforça a percepção de que sua influência e a estrutura de seu grupo criminoso são profundas e persistentes. O objetivo das autoridades, ao focar na desarticulação de sua rede de segurança e apoio, é atingir o cerne de sua capacidade operacional, impedindo que continue a exercer controle sobre a contravenção e a corromper agentes públicos, mesmo à distância.
A Amplitude da Investigação e Combate à Corrupção
A Operação Pretorianos não se limita à prisão dos dois policiais militares reformados, nem é um evento isolado. Ela faz parte de um esforço contínuo e multifacetado das autoridades para combater o crime organizado e a corrupção dentro das instituições estatais. A primeira fase da operação, deflagrada em março de 2024, já havia sinalizado a profundidade do problema ao mirar 16 policiais militares da ativa e um policial penal. Esse primeiro impacto contra agentes ainda em serviço destacou a urgência e a necessidade de saneamento dentro das corporações responsáveis pela segurança pública.
A escolha do nome “Pretorianos” pelo Gaeco é uma alusão direta à Guarda Pretoriana, a unidade de defesa pessoal dos imperadores romanos na antiguidade. Essa nomenclatura é carregada de simbolismo, sugerindo que, assim como os pretorianos guardavam os imperadores, esses policiais estariam guardando os interesses dos contraventores, traindo seu juramento de proteger a sociedade. A operação busca, portanto, não apenas prender indivíduos, mas também enviar uma mensagem clara sobre a intolerância à corrupção dentro das forças de segurança, resgatando a imagem e a funcionalidade dessas instituições.
A primeira fase da operação e os desdobramentos
Em março de 2024, a Operação Pretorianos realizou sua primeira incursão, tendo como alvos dezesseis policiais militares da ativa e um policial penal. As detenções daquela fase inicial já indicavam a extensão da infiltração e da corrupção dentro das forças de segurança do Rio de Janeiro. O foco em agentes ainda em serviço era crucial para interromper a ação de indivíduos que podiam estar usando seus cargos e acesso a informações privilegiadas para beneficiar organizações criminosas.
Os desdobramentos da primeira fase, somados às novas prisões desta segunda etapa, demonstram que o Ministério Público está seguindo uma linha investigativa contínua e aprofundada. Cada fase da operação revela mais peças de um quebra-cabeça complexo, que envolve desde o fornecimento de segurança pessoal a contraventores até a manipulação de operações policiais em benefício de grupos criminosos. A Operação Pretorianos, portanto, é um esforço sistemático para mapear, entender e, finalmente, desmantelar as conexões ilícitas entre o crime organizado e os que deveriam combatê-lo, buscando restaurar a ordem e a confiança nas instituições fluminenses.
Implicações e o futuro do combate ao crime organizado
A prisão dos dois policiais militares reformados, no âmbito da segunda fase da Operação Pretorianos, ressalta a urgência e a complexidade do desafio enfrentado pelas autoridades do Rio de Janeiro no combate à corrupção e ao crime organizado. As investigações do Gaeco revelam a persistência de esquemas onde a proteção e o favorecimento de contraventores são garantidos por agentes que um dia juraram defender a lei. A participação de policiais, mesmo que reformados, na segurança de figuras como Rogério de Andrade não apenas mancha a imagem das instituições de segurança, mas também fortalece as estruturas criminosas, permitindo-lhes operar com uma sensação de impunidade.
Essa operação contínua é um passo fundamental para desmantelar redes que há muito tempo se beneficiam da impunidade e da corrupção. Ao focar nas ligações entre o jogo do bicho e a segurança pública, o Ministério Público busca cortar as fontes de sustentação e informação que permitem a perpetuação dessas atividades ilegais. A longo prazo, o sucesso de operações como a Pretorianos depende da capacidade de ir além das prisões individuais, atacando as raízes sistêmicas da corrupção e promovendo uma cultura de integridade e responsabilidade dentro das forças policiais. A continuidade do monitoramento, a cooperação entre diferentes esferas da justiça e o apoio da sociedade são cruciais para garantir que os resultados dessas investigações se traduzam em um Rio de Janeiro mais seguro e justo.
Perguntas frequentes sobre a operação
Quem são os principais alvos da Operação Pretorianos?
Os principais alvos da Operação Pretorianos são policiais militares, tanto da ativa quanto reformados, suspeitos de envolvimento com organizações criminosas, especialmente na proteção e favorecimento de contraventores como Rogério de Andrade.
Qual a conexão entre os PMs presos e Rogério de Andrade?
Os PMs presos são acusados de integrar a equipe de segurança pessoal de Rogério de Andrade e de seus familiares. Além disso, um deles é suspeito de subornar um policial da ativa para obter informações sigilosas e direcionar ações contra rivais do contraventor.
O que é o GAECO e qual seu papel neste caso?
O GAECO (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) é uma unidade especializada do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Seu papel neste caso é investigar, denunciar e combater organizações criminosas e a corrupção, conduzindo operações como a Pretorianos para desmantelar esses esquemas.
Qual a importância do “jogo do bicho” nesse cenário criminal?
O “jogo do bicho” é historicamente uma das principais fontes de financiamento e poder para o crime organizado no Rio de Janeiro. Sua exploração ilegal gera vastos lucros que são frequentemente usados para corromper agentes públicos e financiar outras atividades criminosas, sendo um pilar central nesse cenário de ilegalidade.
Para mais detalhes sobre as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro e outros importantes temas de segurança pública, continue acompanhando nossa cobertura.
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