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Polícia Federal interroga ex-diretor do Banco Master em investigação do BRB

A Polícia Federal (PF) prossegue com as diligências em uma complexa investigação que apura a aquisição de ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). No epicentro dessa apuração, que envolve grandes instituições financeiras e figuras proeminentes, um dos principais investigados, o ex-diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master, Luiz Antonio Bull, foi ouvido nesta terça-feira. A operação da Polícia Federal visa esclarecer possíveis irregularidades na transação, buscando transparência e conformidade com as normas do setor bancário. O caso, que se desenrola sob segredo de justiça, ressalta a importância da fiscalização em operações financeiras de grande porte para assegurar a integridade do sistema.

O primeiro depoimento e o sigilo da investigação

Ex-diretor do Banco Master presta esclarecimentos

A Polícia Federal conduziu nesta terça-feira (27) o primeiro depoimento no âmbito da investigação que foca na compra de ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Luiz Antonio Bull, que ocupava o estratégico cargo de diretor de riscos, compliance, recursos humanos e tecnologia do Banco Master, foi o único investigado a prestar depoimento na data. Inicialmente, estava previsto que o ex-diretor compareceria presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) para a oitiva. Contudo, Bull optou por colaborar com os investigadores de forma virtual, uma modalidade que tem sido cada vez mais utilizada em processos judiciais e investigativos, especialmente após o período de pandemia.

A sessão de depoimento de Luiz Antonio Bull teve uma duração de 25 minutos. Durante este período, o ex-diretor respondeu a todas as questões que lhe foram dirigidas pela equipe da Polícia Federal. Dada a natureza sensível da investigação e o estágio inicial do processo, o conteúdo detalhado do depoimento permanece sob sigilo. A função de Bull no Banco Master, abrangendo riscos e compliance, é particularmente relevante para a investigação, uma vez que a avaliação de riscos e a aderência às normas regulatórias são aspectos cruciais em operações de aquisição de ativos bancários. O sigilo do conteúdo visa preservar a integridade da apuração, impedindo vazamentos que possam comprometer futuras diligências ou a coleta de provas. A Polícia Federal segue empenhada em reunir todas as informações necessárias para um panorama completo dos fatos.

Adiamentos e as defesas em questão

Atores-chave aguardam novo cronograma

Além do depoimento de Luiz Antonio Bull, a agenda da Polícia Federal para esta terça-feira incluía a oitiva de outros três investigados, cujas participações seriam cruciais para o avanço da investigação. Estavam convocados Robério Cesar Bonfim Mangueira, representante do Banco de Brasília (BRB), bem como Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Banco Master, e Augusto Ferreira Lima, que atuou como ex-sócio da mesma instituição financeira. No entanto, as defesas desses três indivíduos solicitaram o adiamento de seus respectivos depoimentos.

A principal justificativa apresentada pelos advogados para o pedido de adiamento foi a alegação de que não tiveram acesso completo aos autos do processo. Em qualquer investigação criminal, o amplo acesso da defesa ao processo é um direito fundamental, garantindo o devido processo legal e a possibilidade de preparar uma defesa adequada. A falta de acesso integral à documentação pode comprometer a capacidade dos advogados de orientar seus clientes e responder às indagações de forma informada. Diante dessa alegação, a Polícia Federal e as autoridades judiciais geralmente concedem o adiamento, reorganizando o cronograma das oitivas. A expectativa é que, uma vez concedido o acesso irrestrito aos autos, os novos depoimentos possam ser agendados, permitindo que a investigação prossiga com a coleta das versões dos demais envolvidos, consolidando as peças do quebra-cabeça que a Polícia Federal busca montar para esclarecer a operação de aquisição dos ativos.

Esclarecimentos de Ricardo Lewandowski

Ex-ministro detalha relação com o Banco Master

Em meio ao desenrolar da investigação, o ex-ministro da Justiça e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, emitiu uma nota pública nesta terça-feira para esclarecer sua relação com o Banco Master. A manifestação de Lewandowski ocorreu em resposta a reportagens veiculadas pela imprensa que abordavam seu envolvimento anterior com a instituição financeira. Em sua nota, o ex-ministro afirmou categoricamente que deixou de atuar como advogado do Banco Master no momento em que recebeu e aceitou o convite do Presidente da República para assumir a pasta de Ministro da Justiça e Segurança Pública no governo federal.

O comunicado detalha que, após sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal em abril de 2023, Ricardo Lewandowski retomou suas atividades profissionais na advocacia. Durante esse período, ele prestou serviços de consultoria jurídica a diversos clientes, entre os quais o Banco Master. A nota visa, portanto, a dissipar quaisquer dúvidas sobre um possível conflito de interesses, reafirmando que sua atuação profissional no setor privado ocorreu em momentos distintos de suas funções públicas. O esclarecimento de figuras de alta relevância pública é fundamental para a transparência e a credibilidade em investigações que podem tocar em esferas políticas e institucionais. A Polícia Federal e o sistema judicial analisam todas as informações pertinentes para garantir que a investigação prossiga de forma imparcial e focada nos fatos da aquisição dos ativos.

Perspectivas e o futuro da apuração

A investigação da Polícia Federal sobre a aquisição de ativos do Banco Master pelo BRB representa um esforço contínuo para garantir a conformidade e a legalidade em transações financeiras de grande envergadura. O depoimento de Luiz Antonio Bull, ex-diretor de áreas sensíveis como riscos e compliance, marca um passo inicial, cujas informações, sob sigilo, são cruciais para os próximos passos. A necessidade de adiamento dos demais depoimentos demonstra a complexidade jurídica e a importância de assegurar o direito de defesa, fundamental para a legitimidade de todo o processo.

A apuração caminha para um aprofundamento nas operações financeiras e nos processos de avaliação que culminaram na transação entre as duas instituições. A expectativa é que, com a continuidade das oitivas e a análise dos documentos sob sigilo, a Polícia Federal consiga traçar um panorama completo das negociações, identificando eventuais irregularidades e os responsáveis, se houver. O esclarecimento do ex-ministro Ricardo Lewandowski, por sua vez, adiciona um contexto relevante sobre as relações entre figuras públicas e o setor privado, enfatizando a vigilância necessária sobre os limites éticos e legais. A sociedade aguarda os desdobramentos, confiando na imparcialidade e rigor das instituições de investigação e justiça.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que está sendo investigado pela Polícia Federal?
A Polícia Federal está investigando a aquisição de ativos do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) para apurar possíveis irregularidades na transação.

Quem foi o primeiro investigado a depor?
Luiz Antonio Bull, ex-diretor de riscos, compliance, RH e tecnologia do Banco Master, foi o primeiro investigado a prestar depoimento, de forma virtual.

Por que outros depoimentos foram adiados?
Os depoimentos de outros três investigados foram adiados porque suas defesas alegaram não ter tido acesso completo aos autos do processo, direito fundamental para a preparação da defesa.

Qual a relevância do esclarecimento de Ricardo Lewandowski?
O ex-ministro Ricardo Lewandowski esclareceu sua relação com o Banco Master para dissociar sua atuação como advogado do período em que ocupou cargos públicos, buscando afastar qualquer alegação de conflito de interesses.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta e outras investigações relevantes no cenário econômico-financeiro brasileiro. Acompanhe as atualizações para entender o impacto dessas apurações no mercado e na governança corporativa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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