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Casal é preso em circo de SP por crimes sexuais em Minas

ALESP

A prisão de um casal por crimes sexuais contra menores, ocorrida em um circo itinerante na cidade de Avaré, interior de São Paulo, desvendou uma complexa rede de investigações entre as polícias civis de Minas Gerais e São Paulo. A operação, batizada de Backstage, culminou na detenção de um homem de 33 anos e uma mulher de 25, procurados por suspeita de envolvimento em delitos de produção, armazenamento e compartilhamento de material sexual envolvendo crianças e adolescentes, com foco em ações iniciadas na cidade mineira de Taiobeiras. Este desfecho é fruto de um trabalho minucioso que visa proteger as vítimas e responsabilizar os envolvidos em crimes tão sensíveis, evidenciando a mobilidade dos criminosos, que residiam em um motorhome e buscavam refúgio na vida nômade do circo, o que inicialmente dificultou sua localização. O caso sublinha a vigilância contínua necessária para a proteção de menores.

A operação Backstage e a captura dos suspeitos
A localização dos dois indivíduos, um homem de 33 e uma mulher de 25 anos, em um circo itinerante temporariamente instalado na cidade de Avaré, interior paulista, representou o ponto culminante da Operação Backstage. Os suspeitos viviam em um motorhome, uma escolha que lhes conferia grande mobilidade, dificultando sua rastreabilidade pelas autoridades. No entanto, a persistência investigativa da Polícia Civil de Minas Gerais, aliada à colaboração da corporação paulista, permitiu desvendar seu paradeiro e planejar a ação que levou à sua detenção.

O mandado judicial e a colaboração interestadual
A investigação que resultou na prisão do casal teve início na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Taiobeiras, Minas Gerais. Lá, os agentes apuravam crimes gravíssimos relacionados à produção, armazenamento e ao compartilhamento de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. Diante da identificação dos investigados e da constatação de que estariam em trânsito pelo interior de São Paulo, foi emitido um mandado judicial. A Polícia Civil de São Paulo foi prontamente acionada para dar cumprimento à ordem, numa demonstração de eficaz coordenação entre os estados no combate a crimes transfronteiriços. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré foi a unidade responsável por liderar a execução da operação no solo paulista, articulando a equipe para a abordagem discreta e eficiente no ambiente circense.

O flagrante e as evidências apreendidas
A equipe da DIG de Avaré, munida do mandado judicial, realizou a busca e apreensão no local onde o casal residia, o motorhome, e efetuou a prisão em flagrante dos dois suspeitos. Durante a ação, foram apreendidos diversos celulares e dispositivos de armazenamento digital, que estavam vinculados não apenas aos investigados, mas também a outros possíveis envolvidos. Uma análise preliminar do material coletado revelou a existência de um vasto acervo de fotografias e vídeos contendo cenas de sexo explícito envolvendo adolescentes. Mais alarmante ainda foi a descoberta de indícios de que parte considerável desse conteúdo ilícito havia sido produzida no próprio local onde a família residia. Segundo informações da delegada responsável pela investigação em Minas Gerais, havia evidências chocantes de que a enteada do investigado, uma menina de 14 anos, estaria envolvida, com indícios de consentimento da própria mãe, a mulher também presa. Esta situação aponta para um cenário de violência intrafamiliar e grave violação dos direitos das vítimas, exacerbando a natureza hedionda dos crimes.

O início da investigação e a proteção das vítimas
A complexidade do caso e a gravidade dos crimes sublinham a importância de cada detalhe na investigação. O ponto de partida para toda a apuração, que culminou na prisão do casal em Avaré, foi a confiança e o relato de uma adolescente de 15 anos aos seus pais. Esse ato de coragem da jovem, somado à pronta resposta de seus responsáveis, permitiu que as autoridades mineiras desvendassem a trama criminosa.

O relato que desencadeou a apuração
A delegada Mayra Coutinho detalhou que as investigações tiveram início em 16 de janeiro, na cidade de Taiobeiras, após os pais da adolescente de 15 anos procurarem a polícia. A jovem vinha recebendo mensagens de cunho sexual e ameaças do padrasto de um amigo dela, o homem agora preso. As mensagens eram incessantes e coercitivas. Mesmo após bloquear o agressor, ele persistia na perseguição, exigindo o desbloqueio e tentando manipulá-la a enviar material íntimo, incluindo fotos de nudez. Essa pressão constante e o caráter predatório da conduta do suspeito foram cruciais para a abertura do inquérito e a emissão do mandado de prisão. A ousadia do agressor, que não cessava as investidas mesmo após ser bloqueado, demonstrou a necessidade urgente de uma intervenção policial para proteger a vítima e coibir a continuidade dos crimes.

Medidas legais e a salvaguarda da adolescente
Após a prisão em flagrante, o casal foi imediatamente conduzido ao Plantão Policial da Delegacia Seccional de Polícia de Avaré. A autoridade policial ratificou as prisões, imputando-lhes os crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal brasileiro, que tratam da exploração e abuso sexual de menores. Dada a sensibilidade do caso e a necessidade de proteger a vítima, a enteada de 14 anos foi ouvida por meio de escuta especializada, um procedimento que garante o respeito à sua integridade e evita a revitimização. Em seguida, a adolescente foi encaminhada ao Conselho Tutelar, que prontamente adotou todas as medidas de proteção necessárias para resguardar sua integridade física e psicológica, assegurando um ambiente seguro e apoio adequado.

Em razão da gravidade dos fatos apurados, que incluíam violência intrafamiliar e um claro risco de reiteração delitiva, a autoridade policial representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva. Essa medida visa garantir a ordem pública e assegurar a preservação da instrução criminal, impedindo que os suspeitos possam interferir nas investigações ou colocar outras vítimas em risco. A decisão de solicitar a prisão preventiva reflete a seriedade com que as autoridades tratam crimes contra crianças e adolescentes, buscando proteger a sociedade e as futuras etapas do processo judicial.

Conclusão
A Operação Backstage e a subsequente prisão do casal em Avaré destacam a incansável luta das forças de segurança contra a exploração sexual de crianças e adolescentes. A complexidade do caso, envolvendo a mobilidade dos suspeitos em um motorhome e a colaboração entre as polícias de Minas Gerais e São Paulo, ressalta a importância da integração e da capacidade de resposta das instituições. Este desfecho, marcado pela apreensão de vasto material probatório e pela proteção imediata das vítimas, reafirma o compromisso com a justiça e com a salvaguarda dos mais vulneráveis em nossa sociedade. A ação serve como um alerta contínuo sobre a vigilância necessária contra tais crimes.

Perguntas frequentes

1. Qual a origem da investigação que levou à prisão do casal?
A investigação teve início na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Taiobeiras, em Minas Gerais, após o relato de pais de uma adolescente de 15 anos que recebia mensagens de cunho sexual e ameaças.

2. Onde o casal suspeito foi localizado e preso?
O casal foi localizado e preso em um circo itinerante temporariamente instalado na cidade de Avaré, no interior de São Paulo. Eles viviam em um motorhome.

3. Quais crimes foram imputados aos suspeitos?
Os suspeitos foram presos em flagrante e estão sendo investigados por crimes relacionados à produção, armazenamento e compartilhamento de material sexual envolvendo crianças e adolescentes, além de outras infrações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no Código Penal.

4. Houve apreensão de materiais durante a prisão?
Sim, durante a Operação Backstage, foram apreendidos diversos celulares e dispositivos de armazenamento digital, que revelaram a existência de fotografias e vídeos com cenas de sexo explícito envolvendo adolescentes.

Para mais informações sobre a segurança de crianças e adolescentes na internet e como denunciar crimes como este, visite os canais oficiais da Polícia Civil e do Ministério Público.

Fonte: https://g1.globo.com

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