A crescente preocupação com a segurança pública em Jundiaí, São Paulo, tem sido impulsionada pela proliferação de fios soltos e emaranhados nas vias urbanas. Recentemente, um adolescente ciclista de 14 anos sofreu um acidente ao ter seu pescoço enroscado em um cabo de energia enquanto pedalava na Avenida Osvaldo dos Santos Pellegrini. Esse incidente, ocorrido em uma das principais artérias que conecta a região do Eloy Chaves, reacende o debate sobre os riscos iminentes que a fiação solta em Jundiaí representa para pedestres, ciclistas e motoristas. A situação, que se estende por diversos bairros, aponta para um problema crônico de infraestrutura urbana que demanda ação coordenada das autoridades municipais e das concessionárias responsáveis pela manutenção da rede elétrica e de telecomunicações, visando garantir a integridade de todos e a organização da paisagem urbana.
Acidentes recorrentes e o perigo invisível da fiação
O incidente com o jovem ciclista e suas implicações
A rotina de lazer de um jovem de 14 anos transformou-se em um momento de perigo e apreensão. Enquanto trafegava de bicicleta pela Avenida Osvaldo dos Santos Pellegrini, uma via de acesso crucial à região do Eloy Chaves, em Jundiaí, o adolescente foi surpreendido por um fio de eletricidade que se enroscou em seu pescoço. O cabo, de coloração cinza claro, era “quase imperceptível”, conforme relatou o pai do jovem, o que potencializa o risco para quem transita pelo local. O acidente deixou o ciclista ferido, evidenciando a armadilha silenciosa que a fiação desorganizada pode representar, especialmente para usuários de bicicletas e pedestres que podem não notar a obstrução a tempo de reagir. A visibilidade reduzida desses cabos é um fator crítico que agrava a probabilidade de incidentes, transformando uma simples pedalada em um risco elevado.
Histórico de ocorrências e o padrão de risco
O incidente com o adolescente, embora grave, não é um caso isolado nas ruas de Jundiaí. A cidade tem um histórico preocupante de acidentes envolvendo fios soltos e fiação comprometida, sublinhando a persistência do problema e a necessidade urgente de soluções. Em dezembro de 2025, um caminhão enroscou em uma fiação caída na Rua Senador Fonseca, desencadeando uma “chuva” de faíscas que alarmou moradores e transeuntes. Essa cena, que remete a potenciais riscos de incêndio e danos materiais, ilustra o quão perigosa pode ser a interação entre veículos de grande porte e a infraestrutura de cabos.
Outro caso documentado envolveu um pedestre que foi arrastado por fios soltos após estes se enroscarem em um carro que realizava uma curva. O incidente, que resultou em ferimentos leves para a vítima, ocorreu na Rua Bernardino de Campos, no cruzamento com a Rua Senador Fonseca, no Centro de Jundiaí. Curiosamente, no mesmo trecho, em 2023, um caminhão também enroscou na fiação, que chegou a pegar fogo, felizmente sem deixar feridos. Esses episódios reiterados demonstram um padrão de risco elevado, com a fiação aérea apresentando-se como uma ameaça constante à segurança de diferentes usuários das vias públicas, desde ciclistas e pedestres até motoristas. A repetição desses eventos em locais semelhantes sugere uma falha estrutural na gestão e manutenção da rede, que necessita de intervenção mais eficaz e preventiva.
O cenário atual das ruas de Jundiaí e a resposta das autoridades
A persistência do problema em pontos críticos
Apesar das notificações e dos esforços de ajuste, a realidade visual das ruas de Jundiaí ainda evidencia a gravidade e a abrangência do problema da fiação solta. Em uma ciclovia próxima ao prédio da Prefeitura, na Vila Municipal, por exemplo, a cena é de preocupação: fios espalhados pelo chão, cabos enrolados em um poste e um fio solto no meio da via. Essa desorganização não apenas compromete a estética urbana, mas, mais importante, cria múltiplos pontos de risco para ciclistas e pedestres que utilizam a ciclovia para seu deslocamento diário.
O cenário se repete em outras áreas da cidade. Na Ponte São João, a situação é semelhante, com cabos em desalinho que sugerem falta de manutenção adequada. Na Avenida Antônio Frederico Ozanan, a questão é ainda mais evidente: fios caídos nas proximidades de um ponto de ônibus, cabos soltos pendurados e outros enrolados de forma improvisada nos postes chamam a atenção. Ao longo de um quarteirão inteiro, a fiação se estende pelo chão, criando uma barreira e um perigo visível para os pedestres. A exasperação dos moradores é palpável; segundo Benjamin Gomes, residente local, o problema “nunca é resolvido”, refletindo um sentimento de desamparo diante da c persistência da desordem nos cabos que cruzam a cidade. A presença constante de fiação irregular não só sinaliza um risco iminente, mas também uma falha na gestão da infraestrutura que afeta diretamente a qualidade de vida e a segurança dos cidadãos.
A atuação do poder público e das concessionárias
Diante do cenário crítico, a Prefeitura de Jundiaí tem atuado no processo de fiscalização e notificação. No ano passado, o município emitiu mais de 400 notificações à empresa de energia que detém a concessão dos postes na cidade. O trabalho resultou no ajuste da fiação em mais de 3,5 mil postes, o que demonstra um esforço em larga escala para organizar a rede. No entanto, a situação observada nas ruas sugere que as medidas, embora significativas, ainda não foram suficientes para erradicar o problema, que continua a se manifestar em diversos pontos da cidade.
A legislação é clara: fios soltos e sem uso devem ser retirados dos postes, e as empresas que não cumprem essa determinação podem ser multadas. Contudo, a Prefeitura de Jundiaí informou que nenhuma multa foi aplicada no ano passado, levantando questionamentos sobre a eficácia da fiscalização e a aplicação das sanções previstas em lei.
Em relação ao acidente com o adolescente, a prefeitura esclareceu que foi acionada para atender à ocorrência, mas que, ao chegar ao local, a fiação já havia sido removida. O município acionou a CPFL para analisar a rede instalada nos postes e reiterou que todas as denúncias feitas pela população através do telefone 156 são prontamente encaminhadas à concessionária de energia elétrica, que, por sua vez, tem se empenhado em organizar a fiação da cidade.
A CPFL, em nota, confirmou que esteve no local do acidente com o jovem ciclista e que irá notificar as operadoras de telefonia responsáveis pelo trecho. Essa ação é crucial, pois a responsabilidade pela manutenção e remoção de fios sem uso é compartilhada entre a concessionária de energia e as empresas de telecomunicações que utilizam a infraestrutura dos postes. No ano passado, a CPFL notificou 1.411 empresas por problemas relacionados à fiação em Jundiaí, evidenciando a complexidade do gerenciamento da rede e a multiplicidade de agentes envolvidos na questão.
A busca por segurança e a organização da infraestrutura urbana
A persistência do problema da fiação solta e desorganizada em Jundiaí transcende a mera questão estética, configurando um risco real e constante à segurança pública. Os acidentes recorrentes, incluindo o recente episódio com o jovem ciclista, são um alerta contundente para a necessidade de uma gestão mais eficaz da infraestrutura urbana. A complexidade da rede, com a participação de múltiplas empresas de energia e telecomunicações, exige uma coordenação mais robusta e uma fiscalização mais incisiva por parte do poder municipal. A eficácia das notificações e dos ajustes realizados precisa ser complementada por uma aplicação rigorosa da legislação existente, incluindo a imposição de multas às empresas que falham em cumprir suas obrigações. Somente com uma abordagem integrada, que combine ações preventivas, manutenção proativa e uma resposta ágil às denúncias dos cidadãos, Jundiaí poderá assegurar vias públicas seguras e uma paisagem urbana organizada para todos os seus moradores. A segurança de pedestres, ciclistas e motoristas deve ser a prioridade máxima nessa empreitada coletiva.
Perguntas frequentes sobre a fiação em Jundiaí
Quem é o responsável pela manutenção da fiação aérea em Jundiaí?
A responsabilidade pela manutenção da fiação aérea é dividida. A CPFL, como concessionária de energia elétrica, é responsável pelos postes e pela rede de energia. Os fios de telefonia, internet e televisão são de responsabilidade das respectivas empresas de telecomunicações que os utilizam. A Prefeitura de Jundiaí atua fiscalizando e notificando todas as concessionárias e empresas sobre problemas identificados.
Como os moradores podem denunciar fios soltos ou perigosos?
Moradores de Jundiaí podem fazer denúncias sobre fios soltos, caídos ou desorganizados diretamente à Prefeitura pelo telefone 156. Todas as reclamações são registradas e encaminhadas à concessionária de energia elétrica (CPFL) e às operadoras de telefonia e internet para que tomem as providências necessárias.
Quais são os principais riscos associados à fiação solta nas vias públicas?
Os riscos são variados e graves. Incluem acidentes com ciclistas e pedestres (enroscamento e quedas), risco de choque elétrico, danos a veículos (enganchamento de cabos), interrupção de serviços essenciais e, em casos mais severos, incêndios. Além disso, a fiação desorganizada compromete a estética urbana e pode dificultar ações de emergência e manutenção da infraestrutura.
A Prefeitura aplica multas a empresas que não cumprem a lei de remoção de fios?
Embora a legislação municipal preveja a remoção de fios sem uso e a aplicação de multas para o descumprimento, a Prefeitura de Jundiaí informou que não aplicou multas nesse sentido no ano passado. Contudo, foram emitidas mais de 400 notificações à empresa de energia e 1.411 notificações a outras empresas por problemas relacionados à fiação.
É fundamental que a comunidade continue a denunciar esses problemas, contribuindo ativamente para a segurança e organização da nossa cidade.
Fonte: https://g1.globo.com
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