© Prefeitura de Maranguape/Divulgação

Cidades de Ceará e Minas iniciam vacinação-piloto contra a dengue com dose

ALESP

As cidades de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, deram um passo significativo no combate à dengue, iniciando a vacinação-piloto com um inovador imunizante de dose única. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, esta vacina representa uma nova esperança para milhões de brasileiros, com o potencial de transformar a estratégia de saúde pública contra a doença. Nesta primeira fase, 204,1 mil doses foram distribuídas entre os municípios selecionados, que incluem também Botucatu, em São Paulo, onde a campanha será lançada em breve. O objetivo é realizar a vacinação em massa da população-alvo, composta por cidadãos entre 15 e 59 anos, e acompanhar de perto os resultados da vacinação contra a dengue para subsidiar futuras decisões sobre a expansão nacional.

Lançamento da campanha e metodologia de acompanhamento

Início da imunização nas cidades-piloto

A iniciativa marca um momento crucial na luta contra a dengue no Brasil. Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, foram as primeiras a dar o pontapé inicial na campanha de vacinação com o imunizante do Butantan. A distribuição inicial de doses foi meticulosamente planejada: Maranguape recebeu 60,1 mil doses, enquanto Nova Lima teve acesso a 64 mil. A cidade paulista de Botucatu, a terceira participante desta fase experimental, iniciará sua campanha de imunização neste domingo, com um aporte de 80 mil doses. Esse quantitativo é considerado suficiente para cobrir integralmente a população-alvo nas cidades selecionadas, que abrange indivíduos com idade entre 15 e 59 anos, proporcionando uma cobertura robusta para os estudos de eficácia.

Monitoramento rigoroso dos resultados

Para garantir a máxima confiabilidade dos dados e resultados, um plano de acompanhamento abrangente foi estabelecido. Durante o período de um ano, os efeitos da imunização serão cuidadosamente monitorados. Especialistas e pesquisadores desempenharão um papel fundamental nesse processo, analisando a incidência da dengue nas populações vacinadas dos municípios escolhidos. Além da redução nos casos da doença, um foco importante será o monitoramento de quaisquer efeitos adversos raros que possam surgir após a imunização. A metodologia empregada neste estudo de campo não é inédita para Botucatu; a cidade já demonstrou sua capacidade de conduzir avaliações de grande escala em fases anteriores, notadamente na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19, o que reforça a expertise e a infraestrutura local para a condução desta nova fase.

A vacina do Butantan e a estratégia de expansão nacional

Características e eficácia do imunizante

A vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan destaca-se por ser a primeira contra a dengue a ser aplicada em dose única, uma característica que promete maior agilidade na imunização e otimização dos recursos de saúde pública. Essa inovação é o resultado de um processo de desenvolvimento que durou cerca de 20 anos, combinando a expertise de diversos centros de pesquisa nacionais com o valioso apoio de pesquisadores estrangeiros. Os estudos clínicos que antecederam esta fase-piloto indicaram uma eficácia global robusta de 74%, com uma notável redução de 91% nos casos mais graves da doença. Um dado particularmente encorajador é que, entre os indivíduos vacinados nos testes, nenhum necessitou de hospitalização em decorrência da dengue, sublinhando o potencial protetivo do imunizante. O projeto de desenvolvimento da vacina contou com investimentos significativos, incluindo um financiamento inicial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 32 milhões em 2008, seguido por um segundo aporte de R$ 97 milhões em 2017, destinado à construção de uma fábrica de vacinas. Até o momento, o investimento total no imunizante já soma R$ 305,5 milhões, culminando na fabricação de 1,3 milhão de doses.

Planos de expansão e prioridades futuras

Com a expectativa de resultados positivos da fase-piloto, os planos de expansão para a produção em massa da vacina e sua distribuição para todo o país já estão em curso. Antes mesmo da conclusão do estudo de um ano, está prevista a imunização de públicos prioritários com a chegada de doses adicionais do Butantan DV. Profissionais da atenção primária à saúde, incluindo médicos, enfermeiros e agentes comunitários, devem ser os próximos a receber o imunizante, com previsão para o início de fevereiro. Este grupo essencial na linha de frente do combate à doença receberá as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram utilizadas nesta etapa prioritária. Além disso, uma parceria estratégica para transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines visa ampliar gradualmente a vacinação para todo o território nacional. A expansão seguirá uma lógica por faixa etária, começando pela população de 59 anos e progredindo até alcançar o público de 15 anos. A expectativa é de que essa colaboração e a transferência tecnológica permitam uma ampliação da capacidade de produção em até 30 vezes, tornando a vacina acessível a um número muito maior de pessoas em um futuro próximo.

Critérios de seleção e a importância da prevenção contínua

Escolha estratégica dos municípios

A seleção de Maranguape, Nova Lima e Botucatu para esta fase-piloto não foi aleatória. Os critérios adotados para a escolha desses municípios foram detalhadamente apresentados. As cidades foram selecionadas por possuírem uma população que varia entre 100 mil e 200 mil habitantes, um tamanho que permite estudos de impacto significativos, e por contarem com uma rede de saúde já estruturada. Essa infraestrutura é crucial, pois “permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, conforme destacado durante o lançamento da vacinação em Maranguape. A rede de saúde dessas cidades está preparada para atender aos moradores que apresentem um documento oficial com foto, sendo recomendado que levem também o Cartão SUS para agilizar o processo de vacinação.

Além da vacinação: a persistência da prevenção

É fundamental ressaltar que, mesmo com a introdução da vacina e a ampliação da cobertura vacinal, a vigilância e as ações preventivas contra a dengue e outras arboviroses devem permanecer inalteradas. A vacinação é uma ferramenta poderosa, mas não substitui a necessidade de combate ao mosquito Aedes aegypti, principal vetor da doença. As autoridades de saúde reforçam que “mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada”. Essa mensagem contínua sublinha a responsabilidade individual e coletiva em manter quintais, vasos de plantas e quaisquer recipientes livres de água parada, garantindo que a redução dos casos de dengue seja um esforço conjunto e duradouro.

Perguntas frequentes sobre a vacinação contra a dengue

Quem pode receber a vacina contra a dengue nesta fase-piloto?
Nesta fase-piloto inicial, a vacinação é destinada a pessoas com idade entre 15 e 59 anos que residam nas cidades selecionadas para o estudo: Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Botucatu (SP).

Qual a eficácia da vacina desenvolvida pelo Butantan?
Os estudos clínicos indicaram uma eficácia global de 74%, com uma redução de 91% nos casos graves da doença. Nenhuma pessoa vacinada nos testes precisou de hospitalização devido à dengue.

A vacinação substitui as medidas de prevenção contra o mosquito?
Não, de forma alguma. A vacinação é uma ferramenta importante, mas as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, como a eliminação de água parada, permanecem absolutamente essenciais e devem ser mantidas por toda a comunidade.

Qual o cronograma de expansão da vacinação para outras regiões do país?
A expansão nacional da vacinação será gradual, condicionada aos resultados positivos da fase-piloto e à transferência de tecnologia para ampliar a produção. Inicialmente, profissionais da saúde serão prioritários, e depois a vacinação será ampliada por faixa etária, começando por pessoas de 59 anos e avançando até os 15 anos.

Mantenha-se informado sobre os avanços da vacinação contra a dengue e continue adotando medidas preventivas em sua comunidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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