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Idosa de 93 anos resgatada após sequestro e exploração pelo neto em

ALESP

Uma idosa de 93 anos foi resgatada em uma operação conjunta das polícias civis de São Paulo e do Paraná, após ser sequestrada e ter suas contas bancárias exploradas pelo próprio neto, de 45 anos. O incidente, que começou em Eldorado, no interior paulista, e teve seu desfecho em Campina Grande do Sul, no Paraná, expõe a vulnerabilidade de idosos diante da exploração intrafamiliar. A vítima foi retirada de sua residência sob circunstâncias obscuras e mantida na casa do suspeito, enquanto ele realizava movimentações financeiras indevidas. Este caso ressalta a importância da vigilância e da ação rápida das autoridades na proteção de indivíduos em situação de risco, especialmente os mais velhos, que muitas vezes dependem de familiares para sua subsistência e segurança. A ação policial demonstrou a eficiência na resposta a crimes que envolvem a dignidade e o patrimônio de pessoas idosas, garantindo o retorno da avó aos seus cuidadores legais.

O sequestro e a exploração financeira

O plano criminoso após o Ano Novo

O drama da idosa teve início após as celebrações de Ano Novo, quando o neto, de 45 anos, que havia passado o feriado na casa da avó em Eldorado, São Paulo, orquestrou seu sequestro. De acordo com as investigações da Polícia Civil, o homem aproveitou a confiança familiar e a ausência de outros parentes próximos para levar a avó consigo. A idosa foi retirada da casa de conhecidos, onde estava momentaneamente, sem que os demais familiares ou sua curadora legal tivessem conhecimento de sua saída ou do paradeiro da idosa.

A princípio, a ação pode ter parecido uma simples viagem ou mudança de endereço para a idosa, dada sua avançada idade e a relação de parentesco com o sequestrador. No entanto, a intenção do neto era muito mais sinistra. Ele a transportou de Eldorado, São Paulo, até sua residência em Campina Grande do Sul, no Paraná, às margens da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), onde a manteve sob sua custódia. Durante esse período, a avó permaneceu isolada, e o neto passou a orquestrar um esquema de exploração financeira, que já vinha sendo investigado pela polícia.

As manobras financeiras e investigações prévias

A exploração da idosa não se limitava ao sequestro, mas envolvia um complexo esquema de desvio de seus bens e recursos financeiros. A Polícia Civil revelou que o neto realizou diversas transferências bancárias das contas da avó, cujos valores ainda não foram totalmente detalhados, mas que indicam uma apropriação significativa de seu patrimônio. Mais alarmante é o fato de que o homem já era alvo de investigações por desviar dinheiro da avó para adquirir um terreno em Campina Grande do Sul, demonstrando um padrão de conduta abusiva e premeditada.

Para facilitar suas ações e garantir o acesso contínuo aos fundos da vítima, o neto alterou o acesso às contas bancárias da idosa. A vítima, que possui outra familiar como representante legal ou curadora, teve essa proteção legal burlada pelas ações do neto, que assumiu o controle de seu dinheiro de forma ilegal. Essas ações configuram crimes graves de apropriação indébita e estelionato contra idoso, que são agravados pela relação de parentesco e pela situação de vulnerabilidade da vítima. A Polícia Civil, ao tomar conhecimento da situação, agiu rapidamente para proteger o patrimônio da idosa, representando pela expedição de mandado de busca e apreensão e pelo bloqueio de suas contas bancárias.

A ação coordenada da polícia e o resgate

Da denúncia à localização da vítima

A complexidade do caso exigiu uma resposta ágil e coordenada entre as forças policiais de dois estados. A denúncia da ausência da idosa e das irregularidades financeiras, provavelmente feita pela curadora ou outros familiares preocupados, foi o gatilho para a atuação das autoridades. Policiais civis de Eldorado, em São Paulo, e do estado do Paraná iniciaram uma investigação conjunta, cientes da necessidade de localizar a vítima e deter o suspeito.

Após intensas diligências e levantamento de informações, a polícia conseguiu identificar a provável localização da idosa. A vítima foi encontrada na quinta-feira (15), durante a operação de resgate, na residência do próprio neto, em Campina Grande do Sul, Paraná. A ação foi crucial para garantir a integridade física e mental da idosa, que estava sob a custódia de seu sequestrador e explorador. A coordenação entre as delegacias de diferentes estados foi fundamental para superar as barreiras geográficas e legais, permitindo que a operação fosse bem-sucedida e que a idosa fosse retirada da situação de risco. A emissão do mandado de busca e apreensão e o bloqueio das contas foram passos decisivos para cessar a exploração e reunir as evidências necessárias.

O bem-estar da idosa após o resgate

Após o resgate, o foco principal foi garantir o bem-estar e a segurança da idosa de 93 anos. Ela foi imediatamente acolhida pelos policiais e, posteriormente, levada de volta à cidade de Eldorado, em São Paulo, onde reside. Lá, a vítima foi entregue aos cuidados de sua curadora, a familiar que detém a responsabilidade legal por ela. Este retorno ao ambiente familiar e sob os cuidados de sua representante legal é crucial para sua recuperação, tanto física quanto emocional, após o trauma do sequestro e da exploração.

A idade avançada da idosa a torna particularmente vulnerável a este tipo de abuso, exigindo um cuidado redobrado das autoridades e da comunidade. A Polícia Civil, ao garantir seu resgate e retorno seguro, cumpriu um papel essencial na proteção dos direitos dos idosos. A permanência sob a responsabilidade de uma curadora assegura que ela terá o suporte necessário para lidar com as consequências do ocorrido e para que suas finanças sejam protegidas de futuras ações fraudulentas.

Desdobramentos e o futuro legal do caso

A situação legal do neto

Após o resgate da idosa, o neto, de 45 anos, foi encaminhado à Delegacia de Campina Grande do Sul, no Paraná, para prestar depoimento sobre os fatos. Ele foi liberado após as formalidades iniciais e o registro da ocorrência, o que não significa que esteja isento de responsabilidade. A liberação após depoimento é um procedimento comum em investigações preliminares, especialmente quando não há flagrante ou decretação de prisão preventiva naquele momento.

No entanto, o homem continua sendo o principal suspeito e alvo das investigações. A Polícia Civil deve prosseguir com a coleta de provas, incluindo as movimentações bancárias e depoimentos, para formalizar as acusações. Ele pode vir a responder por diversos crimes graves, como sequestro e cárcere privado, apropriação indébita, estelionato, e exploração financeira de idoso, conforme previsto no Estatuto da Pessoa Idosa. As penas para esses delitos são severas, e a relação de parentesco com a vítima geralmente funciona como um agravante, podendo aumentar a condenação final. O processo judicial ainda está em andamento e deve definir o futuro legal do suspeito.

A importância da vigilância contra a exploração de idosos

Este caso trágico serve como um doloroso lembrete da crescente preocupação com a exploração de idosos, um crime que muitas vezes ocorre dentro do círculo familiar, onde a confiança é máxima e a vulnerabilidade é acentuada. A atuação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e Paraná foi exemplar, demonstrando a importância de uma resposta rápida e coordenada para proteger as vítimas.

É fundamental que a sociedade esteja atenta aos sinais de alerta. Mudanças súbitas de comportamento do idoso, alterações inexplicáveis em suas finanças, isolamento social, ou a presença constante e controladora de um único familiar podem indicar exploração. A conscientização e a denúncia são ferramentas poderosas na prevenção e combate a esses crimes. Familiares, vizinhos e amigos devem estar vigilantes e não hesitar em procurar as autoridades caso suspeitem de qualquer tipo de abuso ou exploração contra uma pessoa idosa. A proteção dos nossos mais velhos é uma responsabilidade coletiva.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual a idade da idosa resgatada e quem a sequestrou?
A idosa resgatada tem 93 anos de idade e foi sequestrada pelo próprio neto, de 45 anos.

2. Onde a idosa foi encontrada e como a polícia agiu?
A idosa foi encontrada na residência do neto, em Campina Grande do Sul, no Paraná. O resgate foi resultado de uma ação coordenada entre a Polícia Civil de Eldorado (SP) e do estado do Paraná, que atuaram com base em mandados de busca e apreensão e bloquearam as contas da vítima.

3. Quais são as acusações que o neto pode enfrentar?
O neto é investigado por sequestro, exploração financeira de idosa , apropriação indébita e estelionato. Ele foi liberado após depoimento, mas as investigações prosseguem para formalizar as acusações criminais.

Casos de exploração e violência contra idosos exigem atenção e denúncia. Se você souber de alguma situação, procure as autoridades competentes ou ligue para o Disque 100.

Fonte: https://g1.globo.com

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