O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-diretor executivo da Hurb, antiga Hotel Urbano. O pedido surge após o empresário ser detido na segunda-feira, 5 de junho de 2025, no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará, em flagrante por portar um documento falso e por estar com a tornozeleira eletrônica descarregada, um claro descumprimento das medidas cautelares anteriormente impostas pela Justiça. A situação de João Ricardo Rangel Mendes se agrava, indicando um padrão de desrespeito às determinações judiciais que o mantinham em liberdade provisória. A promotoria argumenta que as reiteradas violações justificam o retorno à prisão, dado o risco iminente de novas infrações e a evidente falta de cooperação do réu com o sistema de justiça.
O histórico de furtos qualificados e a denúncia do Ministério Público
As medidas cautelares que João Ricardo Rangel Mendes vinha descumprindo foram estabelecidas em decorrência de sua prisão em flagrante por furtos de obras de arte e outros objetos. Em maio de 2025, o empresário foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pelos crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo. Na ocasião da denúncia, a Promotoria já havia manifestado seu posicionamento favorável à manutenção da prisão do ex-CEO, dada a gravidade e o modo de execução dos delitos.
A série de crimes: modus operandi e locais de ação
Os crimes pelos quais João Ricardo Rangel Mendes foi denunciado foram praticados em 25 de abril de 2025, evidenciando uma premeditação e uma metodologia peculiar. Em um dos episódios, Mendes fingiu ser um entregador de aplicativo para subtrair um valioso quadro, ocultando a peça dentro de uma bolsa de entregas para não levantar suspeitas. No mesmo dia, a denúncia aponta que ele se dirigiu a um escritório de arquitetura, onde se apresentou como eletricista para ter acesso ao local. De lá, furtou mais quadros, uma mesa digitalizadora, além de duas carteiras contendo dinheiro e outros itens de valor.
A audácia do ex-diretor não parou por aí. Conforme detalhado na denúncia, João Ricardo Rangel Mendes também é acusado de ter furtado uma obra de arte e três esculturas do renomado Hotel Hyatt, localizado na Praia da Barra da Tijuca, um dos endereços mais luxuosos da capital fluminense. O esquema de furtos continuou no dia seguinte, quando ele teria subtraído dois quadros, um iPad e a carteira do proprietário do escritório Duda Porto Arquitetura, que fica dentro do Casa Shopping, no mesmo bairro da Barra da Tijuca, demonstrando uma sequência de ações delituosas em pontos estratégicos e de alto padrão.
O descumprimento das cautelares e o pedido de prisão preventiva
Após um período em que esteve sob prisão preventiva, a custódia de João Ricardo Rangel Mendes foi substituída por medidas cautelares diversas da prisão. Tais condições foram impostas pela Justiça com o intuito de garantir o cumprimento da lei e a fiscalização de suas atividades enquanto aguardava o desenrolar do processo. No entanto, as ações recentes do ex-CEO demonstraram um flagrante desrespeito a essas determinações, culminando no novo pedido de prisão.
As condições da liberdade provisória e as violações reiteradas
Entre as medidas cautelares impostas a João Ricardo Rangel Mendes estavam a monitoração eletrônica, que deveria garantir o acompanhamento de sua localização e movimentos, e a proibição de se ausentar da cidade sem a prévia e expressa autorização judicial. Além disso, ele era obrigado a apresentar relatórios médicos mensais no processo, uma exigência que visava acompanhar sua condição de saúde e, possivelmente, qualquer tratamento que pudesse influenciar seu comportamento ou responsabilidade legal.
A promotoria destacou, na terça-feira, 6 de junho de 2025, ao requerer a prisão preventiva, que o ocorrido no Aeroporto de Jericoacoara, onde Mendes foi detido portando documento falso e com a tornozeleira eletrônica descarregada, é uma prova inequívoca do descumprimento da monitoração eletrônica e da proibição de se ausentar sem autorização. Complementarmente, a ausência de apresentação de relatórios médicos desde setembro do ano anterior reforça a tese de que o réu vem descumprindo reiteradamente as medidas cautelares, em um evidente e preocupante desrespeito às determinações judiciais. A quebra de confiança no sistema de justiça, conforme argumentado pelo Ministério Público, justifica a urgência em revogar a liberdade provisória e restabelecer a prisão preventiva para garantir a ordem pública e a efetividade da lei.
As implicações do caso
O desdobramento do caso de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, reflete a seriedade com que o sistema judiciário brasileiro trata o descumprimento de medidas cautelares. A solicitação de prisão preventiva pelo Ministério Público, após a série de violações por parte do empresário, sublinha a importância da obediência às determinações judiciais para a manutenção da ordem e da credibilidade da justiça. Este episódio não apenas ressalta as consequências graves para quem tenta burlar o processo legal, mas também serve como um lembrete público de que a liberdade provisória vem acompanhada de responsabilidades inegociáveis. A sociedade, que já acompanhou de perto os problemas enfrentados pela Hurb e a atuação de seus ex-dirigentes, espera que a justiça seja cumprida de forma plena e transparente, reafirmando que ninguém está acima da lei.
Perguntas frequentes
O que é prisão preventiva?
A prisão preventiva é uma medida cautelar que pode ser decretada pelo juiz em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, antes da condenação. Ela visa garantir a ordem pública, a ordem econômica, a conveniência da instrução criminal ou assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria. Não possui prazo determinado, durando enquanto persistirem os motivos que a fundamentam.
O que são “medidas cautelares diversas da prisão”?
São alternativas à prisão preventiva, impostas pelo juiz para restringir a liberdade ou conduta do acusado, sem privá-lo totalmente dela. Exemplos incluem o monitoramento eletrônico (tornozeleira), a proibição de se ausentar da comarca, a apresentação periódica em juízo, a suspensão do exercício de função pública ou atividade econômica, entre outras. Elas são aplicadas quando a prisão preventiva não é estritamente necessária, mas ainda há a necessidade de garantir a ordem e o andamento do processo.
A Hurb (antigo Hotel Urbano) está envolvida neste caso?
Não. As acusações e o pedido de prisão preventiva referem-se a João Ricardo Rangel Mendes em sua capacidade individual, relacionadas a crimes de furto qualificado e adulteração de identificação de veículo, bem como ao descumprimento das medidas cautelares que lhe foram impostas. Embora ele tenha sido um ex-CEO da Hurb, a empresa em si não é parte das acusações criminais apresentadas neste contexto.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste caso e outros importantes acontecimentos judiciais acompanhando nossa cobertura especializada.
Jornal Imprensa Regional O Jornal Imprensa Regional é uma publicação dedicada a fornecer notícias e informações relevantes para a nossa comunidade local. Com um compromisso firme com o jornalismo ético e de qualidade, cobrimos uma ampla gama de tópicos, incluindo:


