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Videoclipe emociona e conquista prêmios ao abordar assassinato de imigrante congolês

ALESP

Um videoclipe produzido em Santos, São Paulo, tem ganhado reconhecimento em festivais tanto no Brasil quanto em Portugal, por sua poderosa mensagem e sensibilidade artística. A obra, intitulada “Hecatombe”, é da banda Fizeram a Elza e foi inspirada na trágica história de Moïse Kabagambe, um imigrante congolês brutalmente assassinado no Rio de Janeiro em janeiro de 2022.

Brayan Arévalo, diretor e roteirista colombiano radicado no Brasil há sete anos, revela que a ideia do videoclipe surgiu após tomar conhecimento do caso. “Foi uma história muito triste, marcada por uma enorme falta de humanidade”, lamenta o artista, expressando o impacto que a tragédia teve sobre ele.

“Hecatombe” foi o grande vencedor na categoria de baixo orçamento no Mate Festival, uma mostra internacional realizada na cidade de Coimbra, em Portugal. No Brasil, o trabalho foi premiado com o troféu de Melhor Roteiro no Fest Clip, parte do Festival de Cinema de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, e também na Mostra de Curtas da Baixada Santista, demonstrando o alcance e a qualidade da produção.

Além dessas conquistas, o videoclipe concorre na categoria videoclipe do Rio Webfest, disputando com outras nove produções de diferentes partes do mundo. O projeto também foi selecionado para o Festival de Curtas de Bertioga, consolidando sua presença no cenário audiovisual.

Gil Oliveira, guitarrista e um dos fundadores da banda em 2019, expressa a surpresa e a satisfação do grupo com o sucesso do trabalho. “A gente ficou muito feliz com a qualidade do clipe que foi produzido com muito carinho por talentos da nossa região”, afirma o músico.

Oliveira ressalta que o objetivo central da obra é evidenciar que, apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta problemas sérios de discriminação e racismo. “Enquanto essas raízes não secarem totalmente, precisamos com a arte colocar o dedo na ferida e lembrar desta história para que ela não se repita”, enfatiza.

O videoclipe conta com a participação especial do rapper Zé Brown e foi produzido por Luan Maciel, através da Produtora e Cia Cangote, em coprodução com Darshan Filmes e Studio 23. O projeto foi viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo de Santos.

Moïse Kabagambe, de 24 anos, chegou ao Brasil em 2014 com sua mãe e seus irmãos, buscando refúgio da guerra e da fome em seu país de origem. O jovem trabalhava em um quiosque na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, quando foi brutalmente assassinado após cobrar o pagamento de diárias atrasadas. Seu corpo foi encontrado amarrado.

Fonte: g1.globo.com

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