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© Tenda Mestre Bita Do Barão/Divulgação

Legado de Mestre Bita do Barão Ganha Exposição Detalhada no Mês da Consciência Negra em São Luís

São Luís se prepara para mergulhar na rica tapeçaria das religiões de matriz africana com a inauguração de uma exposição dedicada a Mestre Bita do Barão de Guaré. Wilson Nonato de Sousa, conhecido por sua inegável influência como um dos maiores expoentes do Terecô, mesmo após seu falecimento em 2019, continua a inspirar e a moldar a compreensão da cultura afro-brasileira. A mostra, que se inicia nesta sexta-feira (6), chega em um momento simbólico, o Mês da Consciência Negra, reforçando a importância da valorização e do reconhecimento das tradições ancestrais maranhenses.

Mestre Bita do Barão: A Voz do Terecô

Considerado uma figura central na história recente das manifestações religiosas afro-brasileiras, Mestre Bita do Barão personificou a essência do Terecô. Sua trajetória não apenas consolidou a prática, mas também a elevou a um patamar de reconhecimento nacional. A exposição, sediada no histórico Museu Cafua das Mercês, no coração da capital maranhense, oferece uma oportunidade única de revisitar os ensinamentos, a sabedoria e as práticas mantidas vivas por este líder espiritual, que dedicou sua vida à preservação e propagação de sua fé.

Uma Imersão Profunda nas Tradições do Terecô

Intitulada “Terecô de Codó: o caminho de Mestre Bita do Barão entre tambores, encantados e ancestralidade”, a mostra é um convite à descoberta. Os visitantes terão acesso a um acervo diversificado, composto por objetos pessoais, fotografias históricas e documentos que narram a jornada de Mestre Bita. Além dos registros tangíveis, a exposição transcende o meramente visual, apresentando elementos vívidos da tradição do Terecô Tambor das Matas, como a sonoridade de rituais, os cantos ancestrais, as preces dedicadas e os toques de tambor que formam a espinha dorsal desta manifestação religiosa, mantida viva por gerações de praticantes.

Terecô: Raízes Ancestrais e Sincretismo Maranhense

O Terecô, religião de matriz africana que floresceu no interior do Maranhão, destaca-se como uma das mais vibrantes expressões de fé do estado. Com suas origens remontando ao século XVIII, a prática se concentra predominantemente nos terreiros do interior, tendo a cidade de Codó como seu principal e mais renomado centro de preservação. Caracterizada por um rico sincretismo, a religião incorpora elementos de outras manifestações afro-brasileiras, como a Umbanda e o Tambor de Mina, e absorve influências do catolicismo, resultando em uma espiritualidade singular e profundamente enraizada na cultura local.

Consciência e Permanência: Celebração Cultural Estendida

A realização desta exposição no Mês da Consciência Negra sublinha o papel fundamental do Mestre Bita do Barão e do Terecô na história e identidade do Maranhão e do Brasil. Fruto da colaboração entre o Governo do Maranhão, o Museu Cafua das Mercês – Museu do Negro e a Tenda Umbandista Rainha de Iemanjá, a mostra visa não apenas homenagear, mas também educar e sensibilizar o público para a riqueza e a diversidade das religiões de matriz africana. Aberta aos visitantes, a celebração cultural se estenderá por vários meses, permanecendo em cartaz até o dia 30 de março do próximo ano, proporcionando uma longa janela para a imersão nesse universo sagrado.

A exposição dedicada a Mestre Bita do Barão é mais do que uma retrospectiva; é um portal para o entendimento de uma cultura vibrante e resistente. Ela oferece um tributo merecido à vida e obra de um homem que se tornou sinônimo de fé e tradição, garantindo que o legado do Terecô e a memória de seu maior expoente continuem a inspirar novas gerações, reafirmando a importância da ancestralidade e da pluralidade religiosa no cenário brasileiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br