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Segundo maior cemitério de São Paulo suspende enterros por falta de vagas, dizem funcionários

O Cemitério Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte da capital paulista, segundo maior de São Paulo, suspendeu novos enterros após aumento da demanda de mortos pelo coronavírus. A informação é de funcionários do serviço funerário da cidade e de familiares de vítimas da Covid-19 que não conseguiram enterrar seus parentes no cemitério.

Segundo relatos feitos ao G1, o local fará apenas exumações para conseguir liberar novas sepulturas e, assim, voltar a realizar enterros. A Prefeitura diz que os enterros de crianças e de quem têm jazigo continuam (leia nota abaixo).

“Lá esgotou, eles vão fazer agora exumação e vai ficar uns dias fechado”, disse um funcionário do Cemitério Chora Menino, também na Zona Norte, ao G1 na manhã desta terça (30).

A medida, segundo ele, entra em vigor a partir desta quarta (31). Entretanto, já na noite desta segunda (29), o corpo de um homem de 48 anos, morto em decorrência de complicações provocadas pelo coronavírus, não pôde ser enterrado no Vila Nova Cahoeirinha.

Após a confirmação da morte, os familiares foram ao Cemitério do Araçá, na Zona Oeste, para obter informações sobre o sepultamento e receberam a informação sobre o fechamento do Vila Nova Cachoeirinha por falta de vagas.

Os parentes relatam que a sobrecarga atinge o sistema funerário como um todo. No Araçá, na noite desta segunda, apenas dois funcionários trabalhavam para atender a alta demanda de liberação de corpos.

Eles ficaram no local das 22h às 2h30 e foram encaminhados para o Chora Menino. O cemitério é destinado apenas às famílias que tem jazigos, mas passou a abrir sepulturas por conta da superlotação.

Ainda de acordo com relatos, por conta da falta de vaga, os corpos também estão sendo encaminhados para o Cemitério de Perus, na Zona Norte. A média de sepultamento na cidade passou de 7,5 mil por mês para quase 9 mil.

Questionada pelo G1, a Prefeitura de São Paulo negou, por meio de nota, que o cemitério tenha sido fechado e disse que enterros de pessoas que já têm jazigos, e sepultamentos de crianças seguem ocorrendo.

“O equipamento continua funcionando para sepultamentos dos munícipes que possuem túmulos – concessão – e para enterros de crianças. A medida consta do Plano de Contingenciamento Funerário, apresentado publicamente em 2020, e foi definido com base em critérios logísticos com base no número de óbitos ocorridos em 24 horas na cidade, que enfrenta pandemia e está em fase de emergência, conforme determina o Plano São Paulo do governo do Estado.

A informação de que o cemitério fará apenas exumação para abertura de novas vagas é improcedente, pois trata-se de um procedimento necessário, que é feito de forma regular de acordo com critérios previstos na legislação em vigor”, diz a nota.

Depois, na noite desta terça (30), um comunicado foi repassado aos funcionários do serviço funerário alertando que sepultamentos de adultos precisam de autorização (veja abaixo).

Comunicado aos servidores do serviço funerário — Foto: Reprodução

Enterros noturnos

Com o aumento dos enterros, a gestão municipal estendeu os horários dos sepultamentos em quatro cemitérios: Vila Formosa e Vila Alpina, ambos na Zona Leste; o São Luiz, na Zona Sul; e o próprio Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte. Os enterros que antes eram realizados das 7h às 18h agora ocorrem das 7h às 22h.

A capital teve um aumento de quase 30% nos enterros. Os sepultamentos noturnos fazem parte do Plano de Contingência do Serviço Funerário.

Nesta terça-feira (30), motoristas de vans escolares começaram a trabalhar no transporte de corpos de pessoas mortas por Covid na cidade. Com o aumento dos enterros, a prefeitura contratou 50 carros particulares que serão adaptados para o Serviço Funerário.

Depois de o G1 publicar esta reportagem, o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) confirmou que o cemitério suspendeu os enterros e afirmou que será feita a exumação de corpos com mais de 3 anos para viabilizar novas sepulturas.

Segundo o sindicato, por meio de nota, “a situação ocorre após o Cemitério da Nova Cochoeirinha ter sido incluído no contrato de aluguel de equipamentos para sepultamentos noturnos na cidade”, o que pode ter aumentado a demanda.

“O Sindsep há décadas alerta para a falta de investimento no Serviço Funerário Municipal de São Paulo e para o seu sucateamento. No grave momento de recordes de sepultamentos na cidade de São Paulo a situação fica evidente com o processo desenfreado de terceirizações”, diz a nota.

Mortes na cidade

A média diária de novas mortes na cidade de São Paulo mais do que dobrou em relação a duas semanas, quando teve início a fase emergencial no estado.

Nesta segunda-feira (29), a média móvel de óbitos foi de 167. No dia 15 de março, o valor era de 74, o que representa um aumento de 125%. No mesmo período, o estado como um todo teve aumento de 67% na média móvel de mortes.

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