Previdência será aprovada na Câmara antes do recesso, diz Paulo Guedes

O ministro da economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira (4) acreditar que o texto da reforma da Previdência será aprovado na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar, marcado para começar em 18 de julho.

“Confio no Congresso brasileiro”, disse em em evento da XP Investimentos em São Paulo.

Guedes voltou a afirmar que um sistema de Previdência sob regime de repartição é “insustentável” e defendeu a adoção de um regime de capitalização. “É insustentável porque tem uma bomba demográfica”, disse, citando o envelhecimento da população brasileira.

Segundo Guedes, a proposta de reforma encaminhada pelo governo é “potente” o suficiente para cobrir o rombo e levar ao “próximo passo”, que seria a migração para o regime de capitalização.

Nas palavras dele, a capitalização seria “uma XP da Previdência”, que captaria recursos dos beneficiários para gerar rendimentos para eles.

Nesta quinta, a comissão especial da Câmara aprovou o texto-base da reforma da Previdência. Os deputados ainda têm de analisar os destaques individuais e das bancadas dos partidos que pedem mudanças no texto.

Depois de aprovada na comissão, a proposta de emenda à Constituição (PEC) seguirá para o plenário da Câmara, onde terá de passar por dois turnos de votação e necessitará do apoio de ao menos 308 dos 513 deputados. Em seguida, se aprovada, vai para o Senado.

O ministro também afirmou que a reforma do sistema de impostos é “iminente” e que os juros no país vão cair.

“[O Brasil] não vai ser mais o paraíso dos rentistas, vai ser o inferno dos rentistas. “Juro de 0,5%. Vai trabalhar, vagabundo”, disse.

Privatizações e BNDES

Guedes disse que o programa de privatizações será disparado no segundo semestre e criticou a política do governo petista de incentivar as empresas chamadas “campeãs nacionais” com crédito do BNDES. Segundo ele, essa política gerou “200 milhões de trouxas” explorados por um pequeno número de empresas definidas pelo presidente, às custas de alavancagem do dinheiro público.

“Nenhum presidente pode ter tanto poder assim”, disse, emendando que é preciso ter competição no mercado.

De acordo com o ministro, os recursos do BNDES vão entrar em privatizações, ajudar na restruturação financeira dos municípios e em investimentos em saneamento. “Esse é o banco público que a gente quer.”

Mercosul e UE

O ministro ainda afirmou que o acordo entre Mercosul e União Europeia deve levar 2,5 anos para ser consolidado. Os dois blocos acertaram um acordo de livre comércio na semana passada.

“Claro que as circunstâncias externas ajudaram, mas o importante é não perder a janela de oportunidade”, afirmou sobre o fechamento do acordo.

Ainda no campo das relações internacionais, Guedes voltou a afirmar que o governo americano já recomendou a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). “Está assegurada a abertura gradual da economia brasileira”, disse.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/07/04/previdencia-sera-aprovada-na-camara-antes-do-recesso-diz-paulo-guedes.ghtml

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