Manifestantes protestam na Paulista contra bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo MEC

Manifestantes protestam na Avenida Paulista na tarde desta quarta-feira (15) contra o bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC). O ato se concentra em frente ao vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e os dois sentidos da via foram interditados por volta das 14h.

Estudantes, crianças, idosos e sindicatos relacionados à educação participam do ato. Vários cartazes fazem referência à fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub sobre “balbúrdia” em universidades. Uma das faixas diz que a “balbúrdia é contra dinheiro da educação”. De forma reservada, auxiliares próximos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) avaliam que o discurso mais incisivo de Weintraub acabou dando gás às manifestações desta quarta.

Alunos da Universidade de São Paulo, que realizaram protesto pela manhã na Cidade Universitária, Zona Oeste da capital, saíram em caminhada até a Avenida Paulista.Eram cerca de 2 mil estudantes, segundo a organização.

A professora de filosofia da USP Tessa Moura Lacerda, 44 anos, diz que está muito feliz com o ato. “Espero que essa resistência nacional mostre a forca da educação nesse país”.

A estudante Nathalia Santos, 22 anos, concorda: “Nessa manifestação eu sinto que não estou sozinha. A educação não está perdida”.

“Nessa manifestação me sinto como se estivesse sempre começando. A luta nunca acaba”. Regina Mariano, 77 anos, diz que “Nessa manifestação me sinto como se estivesse sempre começando. A luta nunca acaba”.

Ingrid Bustamante, 25 anos, professora da educação básica levou a filha Olívia, de 14 meses. “Pai dela e eu somos professores e nós percebemos como esta precária a educação. Nós achamos importante ela entender que ela precisa batalhar por isso. A educação o que resta para gente.”

A estudante da Universidade Federal do Paraná Luciana Vargas, 24 anos, levou um cartaz com a fórmula da água escrita em referência à declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que disse nesta quarta-feira que os alunos “não sabem nem a fórmula da água”.

“Achei a declaração infundada. Ele está acusando falta de pensamento crítico, e ele está cortando verbas da educação justamente onde se produz pensamento crítico”.

Por volta das 16h, os estudantes da USP que saíram da Cidade Universitária chegaram à Avenida Paulista para reforçar o protesto.

Mais cedo, estudantes de universidades e colégios públicos e particulares fizeram atos em diferentes pontos da capital. O portão da Cidade Universitária ficou bloqueado entre 6h e 9h e as avenidas Higienópolis e Angélica foram fechadas por estudantes de escolas particulares do bairro.

Entidades ligadas a movimentos estudantis, sociais e a partidos políticos e sindicatos convocaram a população para uma greve de um dia contra as medidas anunciadas pelo governo federal na educação. Alunos e professores em outras cidades do país também aderiram à paralisação.

Bloqueio de verba

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de 30% na verba. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não deverão ser afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/05/15/manifestantes-protestam-na-paulista-contra-bloqueio-de-recursos-para-a-educacao-anunciado-pelo-mec.ghtml

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.Os campos obrigatórios são marcados *

*

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: