Barueri

Mais amor, menos preconceito: mãe de filhos gays fala sobre como acolher pessoas LGBTQIA+

Inspirar mães a acolherem filhos que assumiram a sua homossexualidade. Foi com esse objetivo que o encontro “Maternidades reais e possíveis” aconteceu na quinta-feira (dia 19), na Secretaria da Mulher. A ação faz parte da programação especial para o mês das mães.

Mãe de um filho gay e uma filha lésbica, a bacharel em Serviço Social Leila Batista falou sobre a luta que trava para fazer valer os direitos das pessoas que pertencem ao universo LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Travestis, Queer, Intersexo, Assexual e outros) por meio de coletivos nos quais atua. Na roda de conversa, a ativista social contou sobre sua trajetória e porque é tão importante que as famílias compreendam mais sobre o tema no combate ao preconceito.

Nada além de amar

Leila fala sobre a importância de colocar o amor de mãe na frente dos próprios preconceitos, procurar acolher e entender o que seu filho está vivendo e buscar cada vez mais informações sobre a comunidade LGBT.

“Além de entender, respeitar, é preciso se posicionar diante a sociedade. E dentro de casa, criar esse ambiente acolhedor. Ainda precisa de muita luta para que os direitos não sejam violados. Seu filho não está fazendo nada de errado, além de amar”, ressalta.

Abraçar as diferenças

A bacharel em Serviço Social explica que para entender a causa LGBT você precisa conviver com essa população, se aproximar e oferecer apoio.

“Se vocês conviverem com uma pessoa que sofre o preconceito no dia a dia, saberão a dor que ela sente. É natural ser gay, o que não é natural é o que causamos a essa população por causa do preconceito”, comenta.

Evasão escolar

Outro fenômeno presente na população LGBTQIA+ mencionado pela ativista é a evasão escolar, por ser, em muitos casos, alvo de xingamentos e agressões em razão da sua orientação sexual.

“O ambiente escolar acaba sendo hostil e a evasão escolar é muito grande. Portanto, as mães, a família, precisam se posicionar e estarem lado a lado dos seus filhos. Acompanhar de perto o que seu filho está vivendo. Procurar entender para que seu filho se sinta fortalecido e seguro”, recomenda.

Mais cor na vida!

O abandono das famílias de LGBTs é uma realidade, isso reflete na solidão dessas pessoas. Uma maneira que Leila encontrou para acolher esses jovens foi trazê-los para dentro de sua casa em muitos natais.

“Muitos acabam não participando dos natais de suas famílias por falta da aceitação. Comecei acolher essas pessoas na minha casa. Organizo natais com esses jovens que assumiram a sua homossexualidade, não têm o apoio dos pais e passam o natal na minha casa. É uma grande festa! Minha casa fica toda colorida”, conta.

Rede de apoio

Leila lembra que uma forma de ajudar mães no processo de aceitação é inseri-las em uma rede de apoio, por meio de grupos formados por outras mães de LGBTs e, se possível, especialistas como assistente sociais, psicólogos, dentre outros.

“O que se fez até hoje pela sociedade foi incentivar o machismo e a heteronormatividade. Aprenda a questionar o que você aprendeu ao longo da vida e busque conversar com outras mães que também têm os mesmos medos e preocupações”, revela. Leila ainda ressalta: “aqui na Secretaria da Mulher vocês encontram esse espaço. Esse encontro é uma forma de nos fortalecemos, sempre através do conhecimento”, disse.

País que mais mata

O Observatório de Mortes e Violências contra LGBTQIA+, divulgou pelo quarto ano consecutivo que o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial dos países que mais assassinam essa comunidade. De acordo com o relatório, o Estado de São Paulo é o epicentro desses dados. No ano passado, foram registradas 42 mortes violentas em comparação a 2020, que registrou 29 assassinatos.

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